Foi a sociologia de botequim, que passa pela cerveja e porção de demagogia segundo a qual salário baixo leva à gatunagem, que atirou o Rio de Janeiro na atual e pior crise de sua Polícia Militar. Duas rodadas do coronel Paulo Paúl, excorregedor: na primeira ele fez corpo mole com os PMs flagrados saqueando um caminhão de cerveja alegando que baixos soldos dão margem à corrupção; na segunda, ele fez vista grossa com os colegas que combinavam uma passeata na praia do Leblon reivindicando aumento salarial e ameaçando entrar em greve. Reivindicar melhor condição de trabalho não tem nada a ver com pilhagem nem com passeata de PM – aliás, vetada pela Constituição Brasileira e pelo estatuto da corporação (isso é motim, quebra de hierarquia). O governador Sérgio Cabral, a quem a PM deve irrestrita obediência, fez o que tinha de fazer: primeiro afastou Paúl, depois tirou do comando o coronel Ubiratan Ângelo, que também titubeou em manter a disciplina (entrou em seu lugar o coronel Gilson Pitta). Na seqüência, até a tarde da quintafeira 31, 46 oficiais se exoneraram de seus cargos na tentativa de emparedar o governador. Conversa de véspera de Carnaval: oficial sério, descontente com quem o comanda, sai de vez da corporação, não somente do cargo.
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ESTOPIM
A troca de comando da PM (à esq. Pitta) e o roubo de cerveja que deflagrou a crise |