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A novela argentina do SBT
Emissora aposta em produção moderna no lugar dos antigos folhetins mexicanos

IVAN CLAUDIO

PAR ATÍPICO Lola (Carla Peterson), que na verdade é Lalo, e o colega de trabalho Fernando (Luciano Castro)

O SBT fez um upgrade em sua linha de novelas importadas: abandonou as produções melodramáticas da produtora mexicana Televisa e decidiu apostar todas as fichas na recente safra argentina. Lalola, que estreou meio de surpresa na segunda-feira 21, no horário das 20h15, é um grande sucesso de tevê em seu país (é transmitida pelo canal America). No final do ano passado, a novela ganhou diversos prêmios e já foi vendida para mais de dez países (entre eles, a Espanha). A trama, moderna e que se desenrola nos bairros de Puerto Madero e Palermo Hollywood, onde reside parte da alta classe média de Buenos Aires, tem como seu núcleo mais importante uma editora chamada High-Five que publica a revista masculina Don. O editor é um narcisista que vive esnobando as mulheres e chama-se Lalo. Mas eis que um dia ele acorda como Lola.

Recurso comum em comédias, seja no cinema, seja na televisão, a troca de sexos ocorre em Lalola como resultado de uma vingança. Lalo esnoba uma pretendente e ela encomenda um feitiço que o transforma numa loira destrambelhada que não consegue se equilibrar no salto 15. Nos próximos capítulos, Lola (intepretada por Carla Peterson) vai aprender todos os segredos femininos, inclusive o da sedução, causando imprevistos no ambiente de trabalho. E quem cai na sua teia é o colega Fernando (vivido por Luciano Castro). A escritora e roteirista argentina Esther Feldman, autora da história, acredita que o sucesso da novela se deve à eterna guerra dos sexos. “Acho que as mulheres se sentem vingadas ao ver realizada a fantasia de que um homem viva seus problemas. E os homens sentem uma grande curiosidade em saber o que aconteceria se realmente os vivessem”, disse ela ao jornal argentino Clarín.

Pouco antes da estréia de Lalola, o próprio dono do SBT, Silvio Santos, funcionou, e como sempre muito bem, de garoto-propaganda deste folhetim. “Você nunca viu nada igual na televisão brasileira”, disse ele em seu programa, convidando as pessoas a não perderem o primeiro capítulo. O SBT o exibiu na íntegra, sem intervalos comerciais (43 minutos no total) e o reprisou às 21h45, depois do SBT Brasil. De diferente, Lalola não traz apenas a temática. Também o seu estilo distancia-se bastante daquele tradicionalmente desenvolvido na televisão brasileira. O enredo é mais enxuto e abusa de saltos no tempo. A edição também é mais ágil e os movimentos de câmara são extremamente cinematográficos. O modelo de tudo isso são os seriados americanos, que estão se tornando a linguagem globalizada da televisão.


30/1/2008


 
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