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Ciência & Tecnologia  
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CIÊNCIA
Há um vulcão sob a Antártida
Pela primeira vez cientistas identificam in loco uma erupção subglacial

LUCIANA SGARBI

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Ao sobrevoarem na semana passada a região da Antártida, os cientistas britânicos Hugh Corr e David Vaughan ficaram estupefatos. Os radares do avião que os transportava identificaram uma camada de cinza vulcânica depositada na superfície de gelo das Montanhas Hudson. Ou seja: ainda há vulcões e ainda há erupções subglaciais. “As cinzas se estendiam por uma área maior que o País de Gales (cerca de 21 mil km2)”, relatou Vaughan à revista científica Nature Geoscience. Os pesquisadores concluíram que o vulcão continua ativo e, aos poucos, vai derretendo a espessa camada de gelo. Estima-se que uma próxima erupção poderá alterar radicalmente, e para sempre, o cenário ambiental da Antártida. “A descoberta de uma erupção vulcânica subglacial é algo excepcional. E podemos comemorar porque nossa tecnologia nos permite saber atualmente quando e com qual intensidade ela ocorreu”, disse Corr, principal autor do estudo publicado pela Nature Geoscience e integrante do grupo British Antarctic Survey (BAS, na sigla em inglês).

EXPEDIÇÃO A equipe de cientistas que encontrou vestígios do primeiro vulcão ativo embaixo do gelo

Estudos na espessura do gelo e na camada de cinza mostraram que o vulcão entrou em erupção há aproximadamente dois mil anos – mas continua ativo. “Acreditamos que essa foi a maior erupção na Antártida nos últimos dez mil anos”, diz Vaughan. “Ela produziu uma cratera considerável na camada de gelo e gerou uma nuvem de gás e cinzas que se elevou a 12 quilômetros.” As Montanhas Hudson estão localizadas na Geleira de Pine Island, na Antártida Ocidental, cujo deslocamento em direção à costa foi acelerado nas últimas décadas por causa do aquecimento global – e possivelmente será intensificado agora com as “acordadas” do vulcão. Até o momento, os cientistas alertam que o nível do mar, devido ao derretimento da Antártida, está aumentando 0,2 milímetro ao ano.

Temendo pelo futuro das geleiras diante de projeções pessimistas em plena era do aquecimento global, os cientistas decidiram, mais uma vez, prevenir o mundo para os riscos desse derretimento e do aumento do calor que emana dessa erupção subglacial. As placas de gelo estão virando água, o fluxo de outras geleiras está aumentando. Como um sorvete que derrete sob o sol quente, o futuro da Antártida pode ir literalmente por água abaixo se o vulcão que há sob as Montanhas Hudson repentinamente acordar.

12 quilômetros
é a altura que atingiram as cinzas na última erupção do vulcão


30/1/2008


 
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