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Comportamento  
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Guga sai sem deixar sucessor
Tênis brasileiro regride a nível inferior ao dos anos pré-Guga, que irá se despedir das quadras

Por JONAS FURTADO

JACKY NAEGELEN/REUTERS
NO BRASIL O esporte sempre viveu de talentos individuais

Chegou ao fim a era Guga. O maior tenista brasileiro de todos os tempos anunciou na terça-feira 15, em São Paulo, sua despedida dos torneios profissionais. O adeus acontecerá onde o catarinense começou sua saga rumo ao topo: nas quadras de Roland Garros, durante o Aberto da França. Além de confirmar que, aos 31 anos, ele já não tem mais condições físicas para encarar a extenuante rotina do Circuito Mundial da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais), a aposentadoria de Gustavo Küerten expõe as mazelas do tênis nacional. “Estamos em um momento pior do que aquele que precedeu o surgimento do Guga”, diz o comentarista e treinador Paulo Cleto.

O ranking mundial sustenta o argumento de Cleto. Pela segunda temporada consecutiva não há um só brasileiro entre os Top 100 na primeira classificação divulgada pela ATP no ano, o que não ocorria há mais de duas décadas. Se nunca alguém fora tão longe como Küerten, tenistas como Cássio Motta, Luiz Mattar e Jaime Oncins gozavam de sólida reputação no circuito durante os anos 80 e 90. Como mostram os resultados, não aconteceu no tênis a evolução natural vista por aqui em outros esportes – como no vôlei, em que os imbatíveis atletas de Bernardinho são sucessores da geração medalha de ouro em Barcelona-92; ou na ginástica olímpica, que vive a expectativa de ver as conquistas de Daniele Hypólito e Daiane dos Santos serem superadas por Jade Barbosa nos Jogos de Pequim.

“Não existe um plano master para o tênis nacional, um projeto que englobe desde a formação de base até a chegada dos jogadores aos profissionais”, afirma Ricardo Acioly, ex-capitão da equipe brasileira na Copa Davis e responsável pelo centro de treinamento da Amil no Rio de Janeiro. A opinião é endossada por Carlos Alberto Kirmayr, que chegou a ficar entre os 40 primeiros do ranking e hoje comanda um projeto para jovens jogadores em Serra Negra (SP). “A confederação sobrevive de gorjetas do Comitê Olímpico Brasileiro. Nessas circunstâncias, o normal seria não ter sequer um jogador entre os melhores. Minha surpresa é que tivemos alguns”, diz.

Técnico e grande incentivador de Guga, Larri Passos concorda que o tênis nacional sempre viveu de talentos esporádicos e projetos individuais. Mas diz que o investimento de altas quantias não é o bastante para forjar campeões. “Os ingleses investem US$ 52 milhões por ano e não têm um jogador entre os Top 50”, afirma o treinador, que dirige um instituto que leva seu nome em Balneário Camboriú (SC). “Não vejo como um momento de desespero, encaro como algo cíclico. Quero ter outro jogador entre os Top 10. Se não acreditasse que posso conseguir isso com um brasileiro, já estaria morando na Europa.”


18/1/2008


 
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