ISTOÉ - Independente
 
   
  EDIÇÃO ATUAL
  EDIÇÕES ANTERIORES
  ESPECIAIS
   
   
  CAPA
  REPORTAGENS
  CIÊNCIA & TECNOLOGIA
  BRASIL
  COMPORTAMENTO
  MEDICINA & BEM ESTAR
  MEIO AMBIENTE
  ECONOMIA E NEGÓCIOS
  CULTURA
   
   
  EDITORIAL
  ENTREVISTA
  A SEMANA
  GENTE
  EM CARTAZ
  OPINIÃO & IDÉIAS
  SEU BOLSO
  BASTIDORES
   
   
  FALE CONOSCO
  EXPEDIENTE
  ANUNCIE
  ASSINE ISTOÉ
  LOJA 3
   
   
 



Entrevista  
Imprimir
 
''Stédile agride o bom senso''
Ministro defende novo modelo de reforma agrária e diz que desapropriar terras é apenas a primeira fase

Por SÉRGIO PARDELLAS E HUGO MARQUES

ISTOÉ - O ex-ministro do Fome Zero José Graziano avalia que a reforma agrária no Brasil é cara. O sr. concorda?
Cassel - Não concordo com o Graziano. A reforma agrária vai ser cara ou barata dependendo dos benefícios que ela trouxer para o País. A história já nos mostrou que é possível crescer com desigualdade. Mas o resultado é desemprego, cidades deformadas, violência urbana e má distribuição de renda.

ISTOÉ - O que deve ser feito?
Cassel - Temos de aproveitar agora esse padrão de crescimento sustentável, com geração de empregos para fazer uma escolha: queremos continuar crescendo com desigualdade ou não? E o meio rural é importante. Reforma agrária é uma escolha do País. É possível crescer sem reforma agrária, mas assim se constrói um país desigual. Se há uma malha fundiária diferenciada, com gente produzindo, geram- se empregos, movimenta-se comércio, se constroem comunidade, igrejas e postos de saúde.

ISTOÉ - Qual o Orçamento do Ministério para 2008? Haverá corte agora com o fim da CPMF?
Cassel - O orçamento é de R$ 5,8 bilhões. Só o do Incra é de R$ 4,4 bilhões. Não tenho expectativa de corte.

ISTOÉ - O sr. recebeu a garantia do presidente Lula de que não haverá corte?
Cassel - Ele me disse que a reforma agrária vai continuar nesse ritmo. Não existe intenção de cortar gastos com assentamento ou com obtenção de terras.

ISTOÉ - O sr. poderia dobrar o estoque de terras para a reforma agrária se fosse assinada a portaria que revê os índices de produtividade da terra?
Cassel - Facilitaria o trabalho do Incra.

ISTOÉ - E por que isso não é feito?
Cassel - A idéia é aguardar o momento político adequado. Há reações, sobretudo advindas da bancada ruralista. A pergunta que não quer calar é: a quem interessa a improdutividade? Quem se sente ameaçado pelo índice de produtividade é porque não está produzindo.

ISTOÉ - Como o sr. acompanha a questão dos biocombustíveis? Como o governo irá conciliar a reforma agrária com a expansão das plantações de cana-de-açúcar em todo o País, no caso do etanol?
Cassel - Quando a gente fala em biocombustível, temos de considerar a experiência do etanol e do biodiesel. O programa do etanol tem 30 anos e precisa ser readequado. Temos de caminhar para uma certificação ambiental e trabalhista. Ele pode, caso não seja controlado, reconcentrar terra e estimular a monocultura. Já o biodiesel tem dois anos e é um programa inovador, ousado e original. O governo teve a capacidade de pensar num combustível novo e limpo a partir da idéia de inclusão social. Isso deu certo.

ISTOÉ - Qual a importância disso?
Cassel - Hoje temos 100 mil famílias trabalhando no Nordeste com renda adicional. Isso para a agricultura familiar é muito significativo porque ela não compete com alimentos. Além de trabalhar para subsistência, a pessoa tem uma renda a mais. Não há risco.

ISTOÉ - O governo liberou quanto no Pronaf em 2007 e qual a previsão para 2008?
Cassel - Cerca de R$ 9 bilhões no ano passado. Para 2008, a expectativa é de R$ 12 bilhões.

ISTOÉ - No governo anterior, o valor liberado era de cerca de R$ 1 bilhão. É isso que desarma os movimentos sociais?
Cassel - O volume grande de política pública para reforma agrária e agricultura familiar muda a situação. Incluímos cerca de 1,1 milhão de famílias no sistema produtivo de crédito, especialmente no Norte e Nordeste. Eram pessoas que estavam fora do sistema produtivo do País. Isso criou uma estabilidade no campo.

RICARDO STUCKERT/PR
"Conversei com Lula e ele disse que a reforma agrária vai continuar nesse ritmo. Não existe nenhuma intenção de cortar gastos"

ISTOÉ - Por que, diante de todo esse quadro, vem o João Pedro Stédile, do MST, e diz que o governo Lula traiu o povo por não enfrentar o grande latifúndio?
Cassel - O João Pedro está enganado. Com Lula, o Brasil passou a crescer em torno de 5%, a gerar emprego, a distribuir renda, a enfrentar a desigualdade e a fazer reforma agrária. O Stédile agride o bom senso. Respeito o fato de ele ter uma expectativa superior. Gostaria de ter feito mais assentamentos. Mas não fizemos pouco. Não é pouco voltar a crescer, distribuir renda, gerar emprego, assentar 450 mil famílias e disponibilizar R$ 12 bilhões para a agricultura familiar. E isso não é retórica de ministro. Os dados do IBGE estão aí.

ISTOÉ - Quando serão dadas soluções para os conflitos agrários?
Cassel - Os conflitos agrários vêm caindo muito. Em 2007, caíram de 1.406 para 540. Isso é reflexo de um ambiente novo e também da orientação do presidente, que é a de enfrentar áreas de conflito histórico. Hoje equacionamos quase todos os problemas.

ISTOÉ - Lula terminará o segundo mandato mais próximo ou mais distante dos movimentos sociais?
Cassel - Temos uma relação mais madura e menos idealizada, na qual são levados em consideração limites e possibilidades.

ISTOÉ - A sua residência em Porto Alegre foi assaltada e o sr. disse que se sentia impotente diante da indolência das autoridades. Como foi?
Cassel - Procurei as autoridades, mas até agora não consegui recuperar os pertences. Fui até o secretário de Segurança. Falaram que iria demorar mais de 20 dias para achar os bandidos e eu argumentei: "Até lá já venderam minha televisão." O pior é que soube que os bandidos voltaram a rondar a casa.

ISTOÉ - Como o sr. reagiria se um terreno seu fosse invadido por sem- terra?
Cassel - A lei vale para todo mundo: sem-terra e latifundiário. Recorreria à Justiça como todo mundo. Existe Poder Judiciário no País para isso.

 

PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2

18/1/2008


 
Receba as informações de Isto É semanalmente em seu e-mail:
 
 
 
 
 
 




 
 
 
 
 
   
 
Imprimir

   
       

© Copyright 1996-2008 Editora Três
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.

ContentStuff - Media Solutions



>