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Exageros pela vaidade
A busca sem limites pela beleza e pelo corpo perfeito pode trazer riscos e danos à saúde

Por CARINA RABELO E CLAUDIA JORDÃO

Uma pesquisa das Universidades Federal e Estadual do Rio de Janeiro aponta que não são só as gordinhas que recorrem aos remédios para emagrecer. O estudo revela que 20% das mulheres que já tomaram medicamentos para emagrecer estavam abaixo do índice de gordura indicado. Segundo especialistas, o problema está também na sociedade de hoje. “A partir da década de 80, com a proliferação das academias de ginástica e o culto ao corpo malhado, a vaidade passou a ser determinante para a inserção social do indivíduo”, explica Rejane Sbrissa, psicóloga, especialista em transtorno alimentar.

WELLINGTON CERQUEIRA/AG. ISTOÉ

REMÉDIOS PARA EMAGRECER
OBJETIVO:
O paulista Daniel Lima, 29 anos, queria perder peso. Em outubro de 2006, ele pesava 96 kg, com 1,85 m de altura. Na busca por um resultado rápido, começou a se medicar por conta própria. Mesmo sem consultar um médico, teve acesso à substância sibutramina, um inibidor de apetite e estimulador da saciedade. Ele mesmo determinou a dosagem.
RESULTADO: Perdeu dez quilos em um mês. Nos primeiros dias, sentiu secura na boca, diúria e taquicardia.

LEANDRO PIMENTEL
ETERNA JUVENTUDE Glória Maria toma 60 pílulas por dia para atenuar os efeitos do tempo

A busca pela beleza a qualquer preço também alcança celebridades. As atrizes sentem como ninguém a pressão para estarem bonitas sempre, independentemente do passar dos anos. E, muitas vezes, erram na escolha do procedimento e do profissional. No caso delas, se der errado, pode resultar também na perda de contratos profissionais. A atriz americana Meg Ryan, 45 anos, está com o rosto visivelmente diferente e os especialistas acreditam que ela fez um preenchimento malsucedido, pois ela surgiu, de repente, com lábios e bochechas inchados. Ou seja, além de não disfarçar a idade, a intervenção, claramente exagerada, mudou as feições da atriz. Segundo o jornal The Washington Post, ela estaria perdendo trabalhos por causa da aparência. Outra atriz vítima da vaidade, Jane Fonda, 69 anos, conviveu por 25 anos com anorexia e bulimia – transtornos alimentares – e recentemente teve de se submeter a uma operação no quadril após uma crise de osteoartrite, desencadeada pelo excesso de atividades físicas. Fonda era ícone da malhação nos anos 80.

Segundo Carlos Alberto Jaimovich, há pessoas com fixação por beleza e juventude, independentemente de classe social, nível cultural e formação. “Quando a pessoa bota na cabeça que quer rejuvenescer, ela acredita no primeiro produto que aparece na sua frente e deixa para trás todo o bom senso”, diz ele. Para retardar o envelhecimento, a jornalista Glória Maria, idade não revelada e 35 anos de carreira, cuida do corpo com caminhadas, ioga e pilates e usa “um monte de cremes” para renovar a pele e as células. Além disso, toma 60 pílulas naturais por dia e uma sopa “milagrosa” feita com ninhos de um pequeno pássaro asiático que traz da China e Tailândia. “Se ouço dizer que faz bem e é natural, eu tomo”, diz ela, sem se preocupar com o fato de os produtos não serem reconhecidos pelo Ministério da Saúde. É importante ressaltar que a vaidade em si não é pecado – o problema é quando o sentimento começa a pôr em risco a saúde da pessoa. “Quem é excessivamente vaidoso precisa ouvir muitos elogios dos outros, pois quer ser aceito pela beleza. A vaidade saudável não necessita dessa aprovação externa”, diz a psicóloga Olga Tessari.

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11/1/2008


 
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