E, infelizmente, sua luta pode durar para sempre, pois o produto aplicado em seu organismo não é absorvido. Sem saber, no dia que eliminou a sua ruga, Beatriz passou por uma bioplastia – conhecida como “plástica sem cortes”. A técnica promete contornos perfeitos com uma ou duas agulhadas, além de eliminar os riscos das cirurgias e dispensar pós-operatório. O produto é injetado na pele ou no músculo e prontamente moldado pelo médico. É utilizado com fins estéticos há dez anos. Só no Rio de Janeiro, são usados 60 litros do produto por mês. Apesar de ser licenciado pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa, o PMMA é uma substância perigosa se aplicada em locais como boca, bochecha e bumbum. Entre os possíveis problemas estão a migração do produto para outro local do corpo, como aconteceu com Beatriz, inflamação, inchaço, reação alérgica e necrose de tecidos – neste caso, conseqüência da aplicação errada. “A bioplastia é uma bomba de efeito retardado. Se ainda não deu problema, vai dar”, arrisca-se a dizer Carlos Alberto Jaimovich, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Segundo ele, há casos de aplicações malsucedidas até mesmo quando realizadas por profissionais habilitados como cirurgiões.
 |
BRONZEAMENTO ARTIFICIAL
OBJETIVO: A estudante de hotelaria Andréa Santos Lindner pretendia manter o bronzeado em dia.
RESULTADO: Após sessões de bronzeamento artificial, Andréa teve 90% do corpo queimado – apenas couro cabeludo, palma das mãos e palma dos pés não sofreram danos. Por causa das queimaduras de segundo grau, ela precisou ficar em coma induzido para suportar o tratamento. Foram 40 cirurgias em um período de 90 dias, tempo que permaneceu internada. Ela ainda não leva uma vida normal |
 |
| ROSTO Meg Ryan perdeu trabalhos após surgir com bochechas e lábios inchados |
Mesmo procedimentos considerados “inofensivos” e não-invasivos, como bronzeamento artificial, podem trazer conseqüências graves. A estudante de hotelaria Andréa Santos Lindner, 34 anos, queria apenas dar manutenção ao tom bronzeado da pele porque, apesar de morar no Rio, não era de freqüentar a praia. Para manter o corpo dourado, recorria ao bronzeamento artificial. Pouca gente sabe, mas a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) condena formalmente o procedimento, que pode causar envelhecimento precoce e câncer de pele. Em março passado, Andréa fez sessões em dois dias seguidos, o que não é recomendável, e teve 90% do corpo queimado. Ainda não se sabe o que aconteceu. Suspeita- se que ela tenha feito mais sessões que seu corpo suportaria ou em intensidade superior à indicada.
Instruída a não dar entrevistas por seu advogado, ela resume, por telefone, a dura rotina e a experiência passada com apenas duas frases. “Ainda estou em tratamento e não posso com o sol, nem mesmo com a claridade”, diz ela. “Foi um susto.” Andréa move processo cível contra a clínica Marli Machado, na Barra da Tijuca, no Rio, onde fez as sessões, e seu advogado aguarda a conclusão dos laudos referentes à máquina de bronzeamento e à pele de sua cliente para decidir se move processo criminal. Na época, a dona da clínica disse que Andréa era muito vaidosa e que ela, anteriormente, havia procurado o local com a intenção de fazer sete sessões de bronzeamento artificial seguidas. A informação não foi confirmada pela família de Andréa.

PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3 | 4 | Próxima >>