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Exageros pela vaidade
A busca sem limites pela beleza e pelo corpo perfeito pode trazer riscos e danos à saúde

Por CARINA RABELO E CLAUDIA JORDÃO

E, infelizmente, sua luta pode durar para sempre, pois o produto aplicado em seu organismo não é absorvido. Sem saber, no dia que eliminou a sua ruga, Beatriz passou por uma bioplastia – conhecida como “plástica sem cortes”. A técnica promete contornos perfeitos com uma ou duas agulhadas, além de eliminar os riscos das cirurgias e dispensar pós-operatório. O produto é injetado na pele ou no músculo e prontamente moldado pelo médico. É utilizado com fins estéticos há dez anos. Só no Rio de Janeiro, são usados 60 litros do produto por mês. Apesar de ser licenciado pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa, o PMMA é uma substância perigosa se aplicada em locais como boca, bochecha e bumbum. Entre os possíveis problemas estão a migração do produto para outro local do corpo, como aconteceu com Beatriz, inflamação, inchaço, reação alérgica e necrose de tecidos – neste caso, conseqüência da aplicação errada. “A bioplastia é uma bomba de efeito retardado. Se ainda não deu problema, vai dar”, arrisca-se a dizer Carlos Alberto Jaimovich, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Segundo ele, há casos de aplicações malsucedidas até mesmo quando realizadas por profissionais habilitados como cirurgiões.

ALBUM DE FAMÍLIA / AG. O DIA

BRONZEAMENTO ARTIFICIAL
OBJETIVO:
A estudante de hotelaria Andréa Santos Lindner pretendia manter o bronzeado em dia.
RESULTADO: Após sessões de bronzeamento artificial, Andréa teve 90% do corpo queimado – apenas couro cabeludo, palma das mãos e palma dos pés não sofreram danos. Por causa das queimaduras de segundo grau, ela precisou ficar em coma induzido para suportar o tratamento. Foram 40 cirurgias em um período de 90 dias, tempo que permaneceu internada. Ela ainda não leva uma vida normal

ROSTO Meg Ryan perdeu trabalhos após surgir com bochechas e lábios inchados

Mesmo procedimentos considerados “inofensivos” e não-invasivos, como bronzeamento artificial, podem trazer conseqüências graves. A estudante de hotelaria Andréa Santos Lindner, 34 anos, queria apenas dar manutenção ao tom bronzeado da pele porque, apesar de morar no Rio, não era de freqüentar a praia. Para manter o corpo dourado, recorria ao bronzeamento artificial. Pouca gente sabe, mas a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) condena formalmente o procedimento, que pode causar envelhecimento precoce e câncer de pele. Em março passado, Andréa fez sessões em dois dias seguidos, o que não é recomendável, e teve 90% do corpo queimado. Ainda não se sabe o que aconteceu. Suspeita- se que ela tenha feito mais sessões que seu corpo suportaria ou em intensidade superior à indicada.

Instruída a não dar entrevistas por seu advogado, ela resume, por telefone, a dura rotina e a experiência passada com apenas duas frases. “Ainda estou em tratamento e não posso com o sol, nem mesmo com a claridade”, diz ela. “Foi um susto.” Andréa move processo cível contra a clínica Marli Machado, na Barra da Tijuca, no Rio, onde fez as sessões, e seu advogado aguarda a conclusão dos laudos referentes à máquina de bronzeamento e à pele de sua cliente para decidir se move processo criminal. Na época, a dona da clínica disse que Andréa era muito vaidosa e que ela, anteriormente, havia procurado o local com a intenção de fazer sete sessões de bronzeamento artificial seguidas. A informação não foi confirmada pela família de Andréa.

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11/1/2008


 
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