
Há mais de três décadas, desde que chegou a Brasília, eleito deputado pelo Maranhão, a trajetória de José Sarney tem sido bastante linear: ele esteve entre os mais influentes políticos de sucessivos governos, sempre como eficiente articulador de bastidores. Apenas duas vezes Sarney foi alvo de holofotes. Primeiro, quando foi presidente da República, entre 1985 e 1990. A outra é agora. De seis meses para cá, ele também tem usufruído de rara popularidade. Entre seus pares, era o nome mais cotado para assumir a Presidência do Senado e pôr fim à crise de imagem na instituição, mas preferiu guardar o cacife para a próxima escolha, dentro de um ano, quando aí sim poderá influir também na eleição presidencial. Seu grande momento, contudo, ocorreu em outubro de 2007, quando a Vale do Rio Doce arrematou, por R$ 1,48 bilhão, a concessão para exploração de um trecho da ferrovia Norte-Sul, obra que em breve deverá se transformar num dos principais corredores de exportação do País. O projeto da ferrovia foi lançado por Sarney, em 1986. Na época, ele foi acusado por quase todos de querer ligar o nada a coisa alguma. Chegou sua hora da revanche. Sarney está usufruindo de algo raro: descobrir em vida que a história lhe deu razão.
