
Contrariando o dito popular de que se é incendiário na juventude e bombeiro na maturidade, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tornou-se, aos 76 anos, o principal artífice de uma postura de oposição intransigente do PSDB. Antigo simpatizante do marxismo, cassado pelo regime militar e companheiro de Lula na luta pela redemocratização, FHC diz hoje que o papel histórico do PSDB é o de adversário do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com essa posição, o ex-presidente bateu de frente com tucanos de alta plumagem, como os governadores Aécio Neves (Minas Gerais) e José Serra (São Paulo), que pregam uma oposição mais amena, com pontos de contato com o governo. Na guerra que moveu, o ex-presidente apelou até mesmo para a diferença cultural entre ele e Lula. Ao final, quando o PSDB contribuiu para que o Senado derrubasse a prorrogação da CPMF, a postura pregada por Fernando Henrique foi vitoriosa. As divergências internas no ninho tucano, no entanto, não acabaram. Em 2008, o PSDB terá de afinar a sua estratégia para a disputa eleitoral em 2010. É quando Fernando Henrique buscará imprimir de forma ainda mais intensa seu tom oposicionista.
