
Um dia banal do advogado Antônio Carlos de Almeida Castro é sempre repleto de figurões. Kakay, como ele se apresenta e gosta de ser tratado, é uma das personalidades mais populares da corte brasiliense. É também um dos mais ricos e influentes. Isso porque é dono da maior banca de direito penal econômico da capital da República. Especializou-se em representar empresas, como Itaú, Vale do Rio Doce e Odebrecht, nos tribunais superiores e nos órgãos de defesa da concorrência. Também é da sua lavra defender políticos de acusações de corrupção, de crimes do colarinho-branco e de lavagem de dinheiro. Entre eles, 12 senadores e 15 deputados, como José Sarney e Romero Jucá, 22 governadores e ex-governadores, como José Serra e Eduardo Braga, 16 ministros ou ex-ministros, como José Dirceu e Paulo Renato de Souza. Articulado, simpático, Kakay veste ternos bem cortados, usa cabelos desregrados e tem uma invejável rede de contatos nos três Poderes. "Meu ponto forte é que, em Brasília, muitos casos jurídicos são resolvidos através do contato pessoal", ensina Kakay. Evidentemente, cobra caro dos clientes. O mais curioso é que seu escritório é pequeno, só toca 100 causas e tem apenas duas advogadas. "Trabalho à moda antiga, quase só", diz.
