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Em cartaz
Por IVAN CLAUDIO

CINEMA

A última loucura de David Lynch
Vai-se aos filmes de David Lynch sabendo que pouca coisa será entendida nas suas histórias muito loucas. Mas mesmo assim as pessoas adoram se perder nos labirintos narrativos que ele cria. Não é diferente em O império dos sonhos, que estréia no Rio de Janeiro e em São Paulo na sexta-feira 14. A história se passa entre os EUA (Hollywood) e a Polônia. Laura Dern interpreta Nikki Grace, uma atriz encarregada de fazer o papel de uma adúltera chamada Sue Blue. Quando ela descobre que se trata da personagem de um filme polonês inacabado (o casal protagonista, que se apaixonara durante as filmagens, morreu assassinado), Nikki passa a viver esse mesmo caso amoroso (e drama) com o ator com quem contracena. Realidade, sonho e ficção misturam-se de tal forma que o espectador não sabe em que plano se encontra. É como se o próprio filme tivesse enlouquecido junto com a atriz.

VINCENT KESSLER/AP/IMAGEPLUS5 MANIAS DE DAVID LYNCH
COLAGEM ORGÂNICA
Lynch, que também é artista plástico, gosta de colocar insetos e pedaços de carne em suas pinturas

CLOSES DE ANIMAIS
Sem uma razão aparente, ele enquadra pássaros olhando para a câmera em cenas de transição

INCONSCIENTE
Imagens de madeiras sendo serradas são recorrentes em suas histórias

NADA DE MENU
O seu sonho é que os DVDs de seus filmes não tenham capítulos. Acha que eles devem ser vistos sem interrupções

DECORAÇÃO BIZARRA
Adora usar quartos verdes e cortinas vermelhas em suas produções

DVD

O clássico Luz vermelha
O cineasta Rogério Sganzerla estava no auge da criatividade quando fez em 1968 O bandido da luz vermelha. O filme sai agora em DVD, totalmente restaurado. Protagonizado por Paulo Villaça, inspira-se no criminoso João Acácio Pereira da Costa, que freqüentou as páginas policiais na década de 60 com a alcunha de “luz vermelha” – a mídia sensacionalista da época atribuiu a ele o uso de uma lanterna que emitia luz avermelhada. Sganzerla retrata as peripécias de João Acácio por uma São Paulo pacata, fundindo o estilo grandioso de Orson Welles, a montagem descontínua de Jean-Luc Godard e a narração radiofônica bem brasileira. Trata-se de um clássico que precisa ser conhecido pelas novas gerações.

HUMOR

PIADAS VISUAIS
Foi Ziraldo um dos primeiros profissionais a abrasileirar a palavra inglesa cartoon (cartum), demarcando um gênero de desenho de humor. Pois bem, no Brasil o cartunismo tem grandes nomes e é o próprio Ziraldo quem apresenta Viva cartum (Editora Paradiso, 96 págs., RS 30), do paulista Fausto Bergocce, artista que, segundo ele, “brinca nas onze nessa área”. Imagens como a da mulher que alça vôo como as borboletas da estampa de seu vestido, inspirada nas telas do pintor Marc Chagall, e a do flamingo com pernas de escala métrica de madeira são exemplos da síntese desse gênero que dispensa palavras para ser entendido e provocar o riso imediato.
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7/12/2007


 
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