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Economia & Negócios  
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O show dos carros
Montadoras lançam dez novos modelos e preparam-se para bater o recorde de três milhões de unidades produzidas

LANA PINHEIRO

Retomada

Houve um tempo, e muitos certamente ainda se lembram dessa época, em que a compra de um carro zero-quilômetro era sinônimo de um tremendo esforço financeiro para a maioria das famílias brasileiras. Sua aquisição era pensada, planejada e tinha época certa para acontecer: de março a novembro, período em que as compras de Natal e as contas do início do ano estavam devidamente quitadas. Há dois anos, a curva mudou. Em 2005 e 2006, surpreendendo o mercado, dezembro se consagrou como o melhor mês de vendas do período. Este ano, a indústria não está poupando esforços para repetir a dose. Novembro e dezembro, que antes eram excluídos do calendário de lançamentos das montadoras, foram escolhidos para a apresentação de cerca de dez novos modelos. Dentre eles, o novo Siena da Fiat, a nova versão da picape Frontier da Nissan, o Sandeiro da Renault – um carro completamente desenvolvido para o Mercosul – e a nova versão do EcoSport. O que está em jogo é a vontade da indústria automotiva de superar as inéditas marcas de três milhões de veículos produzidos e de 2,5 milhões de unidades vendidas ao mercado interno. E que ninguém duvide que as marcas serão batidas.

Comprar um carro no Brasil nunca foi tão fácil. As empresas ampliaram o leque de produtos, a garantia de fábrica foi estendida a três anos e os bancos das montadoras passaram a financiar 100% do veículo sem entrada e com prazo de até 84 meses. “A previsibilidade da economia favoreceu a expansão do crédito e os consumidores passaram a encontrar a prestação adequada ao tamanho de seu bolso”, afirmou Jackson Schneider, presidente da Anfavea, entidade que representa as montadoras instaladas no País. Para o ano que vem, o dirigente acredita que as vendas da indústria continuarão a crescer, mas em um ritmo menor do que os 25% previstos para este ano. Cledorvino Belini, presidente da Fiat, aposta em 20%. “Nunca o Brasil e a Fiat estiveram tão bem”, disse ele. Para dar conta da demanda, a montadora investirá R$ 5 bilhões de 2008 a 2010, parte a ser usada na fábrica da Argentina que será reativada para a produção do Siena e de uma picape feita em parceria com a indiana Tata Motors. No Brasil, ele garante, não há planos de expansão, mas em Minas Gerais crescem os boatos de que a empresa está prestes a construir nova fábrica.

2,5 MILHÕES de carros devem ser vendidos este ano no País, segundo a Anfavea

Outra empresa que está aproveitando melhor sua capacidade é a Ford. Com a fábrica de Camaçari trabalhando em três turnos, a montadora trouxe para São Bernardo do Campo a produção do novo compacto da marca a ser lançado no início do ano que vem. “A perspectiva de crescimento sustentável para os próximos anos trará novos investimentos e novos produtos”, adianta o presidente da Ford, Marcos Oliveira, que iniciou 2007 com plano de investimento de US$ 2,2 bilhões para os próximos cinco anos. E até quem atravessou momentos difíceis teve que dar o braço a torcer. Caso da Volkswagen. Além de rever as demissões programadas, Thomas Schmall, presidente da montadora no Brasil, ampliou os investimentos programados no Brasil em 28% para R$ 3,2 bilhões, anúncio que foi feito durante o Seminário Perspectivas da Auto- Data Editora para uma platéia repleta de fornecedores. Agora está nas mãos deles, os fornecedores, suprir a demanda das montadoras e garantir o crescimento da indústria.

Como se vê, o momento para quem compra e para quem vende carros não poderia ser melhor. Não é à toa que, em sua despedida do Brasil, Ray Young, ex-presidente da General Motors, confessou: “Nunca esperei deixar o Brasil tão bem. Vou sentir saudades.” E olha que Ray sempre foi um dos mais otimistas.

21/11/2007


 
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