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MEDICINA E BEM-ESTAR
Beleza em pote
Descobertas sobre a pele e novas tecnologias permitem a criação de cosméticos com ação mais potente contra rugas, flacidez, celulite e gordura localizada

Por CILENE PEREIRA E GREICE RODRIGUES

Foto Edu Lopes
www.edulopes.com.br
1. RECEITA Produto é indicado por médicos
2. ATIVOS Creme atua contra a destruição do colágeno, fibra que sustenta a pele
3. NATURAL Feito com extrato de planta, loção ajuda a nutrir a derme
4. EFEITO Estudo mostrou que produto reduz rugas em quatro semanas
5. ATAQUE Creme combate reações inflamatórias da pele
6. TECNOLOGIA Feito para os homens, apresenta maior penetração nas camadas da cútis
Dicionário da nova beleza
Muito além da proteção solar

O fascínio da humanidade pelos cosméticos é milenar – 3.000 anos antes de Cristo os egípcios já usavam mel e leite para embelezar a pele. Mas, nessa área, nunca se viram tantas inovações como agora. As prateleiras de perfumarias e farmácias estão repletas de cremes feitos com modernas tecnologias e substâncias ativas que prometem tratar de rugas a celulite, de flacidez a manchas. É uma geração de supercosméticos, muitos já comparados a medicamentos, receitados pelos dermatologistas como parte do tratamento. A venda desses produtos é em grande parte a responsável pelo fôlego de um mercado que só cresce no Brasil. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, o setor apresentou crescimento médio de 11% nos últimos 11 anos. Para os aficionados pela beleza, os lançamentos enchem os olhos. Mas é claro que, entre tantos cremes e potes, há muitos que vendem o que não entregam, ou entregam menos do que vendem.

Grande parte das novidades é resultado de um investimento brutal das empresas da beleza. Hoje, a exemplo das grandes companhias farmacêuticas, as principais representantes dessa indústria dispõem de estruturas consideráveis para desenvolvimento de produtos. A Avon, por exemplo, conta com mais de 300 cientistas no seu centro de pesquisa, em Nova York, nos Estados Unidos. Em 2005, a empresa investiu US$ 100 milhões só na modernização do centro. Na fábrica da Nivea, na Alemanha, são destacadas 800 pessoas para criação de produtos. A francesa L’Oréal investiu, só em 2006, 532 milhões de euros em desenvolvimento de cosméticos – por ano, são gerados cerca de quatro mil novos artigos. A Clinique também reforça a área de testes clínicos. A empresa assegura que um produto seu é testado 7,2 mil vezes antes de ser lançado. As aplicações são feitas em uma amostra de 600 voluntários, com a realização de 12 testes em cada um.

No Brasil, a Natura trabalha com um moderno centro de investigação científica onde são estudadas mais de 100 moléculas por ano. “Temos mais de 300 pessoas dedicadas à pesquisa e desenvolvimento de produtos”, afirma Eduardo Luppi, vice-presidente em inovação da Natura. Na área da tecnologia, as empresas buscam meios para permitir melhor penetração das substâncias. Uma das principais ferramentas usadas hoje com essa finalidade é a nanotecnologia, que utiliza os sistemas de escala nanométrica (um nanômetro é um bilionésimo de metro). As nanopartículas armazenam compostos, penetram mais profundamente na pele e possuem um mecanismo de liberação dos ativos que permite um efeito prolongado. Uma das indústrias que empregam esse recurso é O Boticário.

RUBENS CHAVES/AG. ISTOÉ
AVAL A dermatologista Ana Lúcia usa e receita alguns produtos

O saldo dessa combinação entre pesquisa básica e tecnologia são produtos que prometem ação cada vez mais efetiva e profunda. O maior volume de lançamentos fica por conta dos cosméticos para rejuvenescimento facial. Neste gênero, há uma categoria, os dermocosméticos, que já fazem parte do arsenal médico de tratamento da pele. “Entre eles estão o Redermic e o Substiane, da La Roche Posay, o Eluage, da Avéne, e o Prevage, da Allergan”, aponta a dermatologista Bruna Bravo, professora de pós-graduação do Instituto de Dermatologia da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. A dermatologista paulista Ana Lúcia Récio está entre os especialistas que indicam produtos deste gênero a seus pacientes. “Mas os que recomendo precisam ter eficiência comprovada”, afirma. No entanto, embora tenham ganhado o aval dos médicos por apresentarem eficácia, os dermocosméticos apresentam ação limitada. Eles jamais terão o mesmo efeito de um procedimento dermatológico, realizado em consultório, como a aplicação de preenchedores (substâncias que diminuem rugas e sulcos mais profundos) ou de toxina botulínica, conhecida como botox. “Eles são complementos do tratamento recomendado pelo médico”, explica Bruna.

Ainda para rejuvenescimento facial, há outra safra de novos produtos. Entre eles está o Renew Clinical Thermafirm, da Avon. A empresa afirma que o creme reduz rugas e flacidez após quatro semanas de uso. Outro é o Retin-Ox, da marca RoC. Ele é feito com retinol, substância que, ao penetrar na pele, se transforma em ácido retinóico, muito usado pelos dermatologistas para renovar a pele. Na linha dos produtos feitos com matérias-primas naturais, o Immortelle, da L’Occitane, usa substâncias extraídas da flor que empresta o nome ao produto e promete aumentar a circulação de nutrientes na pele. O Natura Chronos Flavonóides de Passiflora retirou do extrato da planta passiflora os flavonóides, compostos que combatem o envelhecimento precoce da cútis.

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3/10/2007


 
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