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Ciência & Tecnologia  
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O maior crocodilo do mundo
Museu de Paris expõe réplica do animal de 110 milhões de anos que devorava os dinossauros

JOICE TAVARES

TORSTEN BLACKWOOD/AFP/GETTY IMAGES
GIGANTE A mordida do crocodilo Sarcosuchus imperator tinha pressão de três toneladas

O Museu de História Natural de Paris apresentou ao mundo na semana passada a sua mais nova e surpreendente atração: uma réplica em resina, feita em tamanho real e com extrema precisão e semelhança, do crocodilo da espécie Sarcosuchus imperator, que habitou a Terra há aproximadamente 110 milhões de anos – tempo em que reinava quase absoluto na natureza, tendo como uma de suas principais presas os temíveis dinossauros – somente o seu crânio media cerca de dois metros de comprimento, seguidos de mais 12 metros que compunham a extensão de seu corpo. A peça reconstituída desse colossal crocodilo, essencialmente carnívoro, nos remete às grandes descobertas do paleontólogo americano Paul Sereno, da Universidade de Chicago – ele e sua equipe localizaram no deserto nigeriano de Ténéré 18 mil quilos de fósseis desse réptil, que também perambulou pela faixa do antigo continente que unia a África à América, precisamente onde hoje está geograficamente o Brasil – isso explica que um ou outro vestígio ósseo e fossilizado do Sarcosuchus imperator já tivesse sido encontrado na Bacia do Recôncavo baiano.

Com seus dentes afiados como sabre e seu peso de aproximadamente dez toneladas, essa espécie de crocodilo foi a mais predatória que já existiu. Para organizar informações referentes ao comportamento desse gigantesco animal em seu habitat, tendo sempre como meta a montagem de sua réplica, que agora está em exposição na França, o paleontólogo Sereno viajou a diversos países para observar cientificamente os crocodilos atuais. Os seus estudos foram sistematicamente publicados na revista Science, uma das mais conceituadas publicações científicas do mundo, e são considerados hoje o “mais amplo panorama” sobre o comportamento desses répteis. Com os fósseis nas mãos Sereno “remontou” fisicamente o Sarcosuchus imperator e com os dados que colheu em suas observações “refez” uma linha do tempo para se aproximar, o melhor que pôde, do instinto predador desse animal durante o período Cretáceo, o derradeiro da chamada Era dos Dinossauros.

SAMUEL MARTIN/FRANCE PRESSE
EXPOSIÇÃO Paleontólogos posam sentados na réplica do rei dos animais do período Cretáceo

Diferentemente dos crocodilos atuais, o Sarcosuchus não limitava a sua alimentação, por exemplo, a peixes ou tartarugas. “Foi o animal mais carnívoro de seu tempo, embora passasse longos períodos na água”, diz Sereno. Essa característica aquática vinha de sua boa e rápida adaptação ao ambiente: imaginase que ele deixava submerso o seu enorme corpo, exibindo apenas os olhos na superfície da água. Era assim que abatia as presas, valendo-se também de suas mandíbulas descomunais (a superior mais larga que a inferior). Some-se a isso o aguçado olfato do animal. Ele atacava, com seus mais de 100 dentes, os dinossauros que se aproximavam da água e hoje se sabe que a mordida do Sarcosuchus imperator podia atingir uma pressão de três toneladas por centímetro quadrado. Fica claro então por que se atribuiu a ele a denominação imperator. Afinal, o que se pode imaginar de um crocodilo que fazia os dinossauros tremerem de medo? Responde a essa questão o sucesso da exposição do Museu de História Natural de Paris que expõe a réplica desse animal.

Vivia aproximadamente 60 anos. Pesava 10 toneladas. Tinha mais de 100 dentes. Sua mordida equivalia à pressão de 3 toneladas por centímetro quadrado. O crocodilo da espécie Sarcosuchus imperator media 14 metros de comprimento – 2 metros apenas de crânio.

12/9/2007


 
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