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Ciência & Tecnologia  
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No olho do furacão
O trabalho de prevenção nas regiões que foram atingidas pelo furacão Dean evitou que se repetisse uma tragédia

Por LUCIANA SGARBI

NASA
Natureza em fúria Com 18 quilômetros de diâmetro em seu epicentro, o Dean abriu a temível temporada de furacões deste ano no oceano Atlântico

''O pior ainda está por vir.” A frase realista é de um dos mais conceituados especialistas em clima em todo o mundo, Gerry Bell, diretor da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA). Referese ao furacão Dean, que na semana passada colocou em pânico a Jamaica, desesperou Cuba e deixou em alerta nos EUA as autoridades e a população do Texas e da Flórida. O climatologista Bell é um homem acostumado a pensar com frieza mas não é catastrófico. E ele somente disse o que disse porque tem a certeza de que determinadas tormentas da natureza fustigam periodicamente as mesmas regiões do planeta – certeza idêntica, não teórica mas tragicamente prática, têm os habitantes desses lugares.

Foi na noite da segunda-feira 20 que a costa sul da Jamaica recebeu o primeiro solavanco de ventos de 230 quilômetros por hora, seguidos de fortes tempestades. O pesadelo se repetia. Árvores e casas foram arrancadas do chão. Tão rápido quanto a ventania do Dean, no entanto, foi o alerta do NOAA para que o maior número possível de moradores fosse afastado da zona de perigo. A primeira-ministra jamaicana Portia Simpson-Miller cancelou as folgas de todos os policiais, bombeiros e guardas carcerários para enfrentar a passagem do furacão. Escolas, igrejas e quadras esportivas foram transformadas em abrigos de emergência. Foi devido a essa ação preventiva que a grande tragédia não ocorreu – lamentam-se os quatro mortos jamaicanos, mas sem tais providências o número de vítimas teria sido exponencialmente maior.

EDUARDO VERDUGO/AP/IMAGE PLUSA Jamaica não estava sozinha no pesadelo. Seguindo-se indicações de satélites rastreou-se o Dean em direção a Cuba, Golfo do México, Texas e Flórida – e mais de 400 mil pessoas foram retiradas de locais de risco. Com 18 quilômetros de diâmetro em seu epicentro, esse que foi o primeiro furacão da temporada no Atlântico Norte deslocava-se com categoria 4 na escala Saffir-Simpson (a máxima é 5). Apesar de não ter passado diretamente por Cuba, a sua proximidade foi suficiente para provocar inundações no leste da ilha. Antes de chegar ao México, o Dean já estava “exausto” e foi perdendo a força. Mas, ainda assim, três milhões e meio de pessoas do Estado de Veracruz foram retiradas. Também os EUA acionaram o alerta. Na Lousiana (destruída em 2005 pelo Katrina) as autoridades decretaram estado de emergência e o Texas declarou o Dean uma “ameaça iminente”. Preocupado em ter de amargar as mesmas críticas da época da tragédia com o Katrina, o presidente George W. Bush não hesitou em liberar pessoal, equipamento e mantimentos à região para enfrentar o furacão no litoral.

Todos esses cuidados, somados ao fenômeno natural de perda de força do Dean, levaram à segurança milhões de pessoas. Segundo Gerry Bell, o Dean apenas abriu a temporada de furacões no Atlântico e “as maiores ocorrências serão próximas ao dia 14 de outubro” – o período de tempestades, este ano, deverá ficar acima da média das últimas quatro décadas, quando ocorreram 10,9 tempestades, 6,1 furacões e 2,3 furacões intensos por temporada.

5/9/2007


 
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