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Salvo por uma liminar
Na Paraíba, apenas um juiz que contribuiu para a campanha de Cunha Lima votou a favor do governador

RODRIGO RANGEL

O governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), se mantém no poder por força de uma liminar concedida pelo Tribunal Superior Eleitoral, que nos próximos dias irá analisar a decisão tomada na segunda-feira 30 pelos juízes da Paraíba. O Tribunal Regional Eleitoral paraibano decidiu por cinco votos a um cassar o mandato do governador e dar posse ao segundo colocado na disputa eleitoral, o senador José Maranhão, do PMDB. Como revelou ISTOÉ em setembro do ano passado (fac-símile acima), Cunha Lima é acusado pelo Ministério Público de comprar votos com a distribuição de 35 mil cheques a famílias carentes sob o manto de um programa social patrocinado pelo governo. No Estado, os juízes entenderam que as provas contra o governador são relevantes. Se os ministros do TSE entenderem que a sentença dos juízes paraibanos está correta, o caso de Cunha Lima poderá tornarse exemplo num país acostumado a assistir a políticos usarem a máquina pública para se manter no poder.

"Meu mandato é legítimo. Não vou renunciar"
Cássio Cunha Lima

“Sou inocente”, defendese o governador. Na Paraíba, no entanto, a argumentação de Cunha Lima só convenceu o juiz Renan de Vasconcelos Neves. Os outros quatro magistrados acataram a posição do Ministério Público. O problema é que Neves é um dos doadores de recursos para a campanha eleitoral de Cunha Lima. O juiz, que assumiu em junho passado uma das cadeiras no TRE paraibano, deu R$ 500 em troca de um convite para um jantar de adesão à candidatura do governador, numa badalada casa de festas de João Pessoa. “Na época eu nem sonhava em ser juiz”, disse ele a ISTOÉ na quinta-feira 2. Mas, tendo doado justamente para a campanha que está sendo impugnada, não seria motivo para declarar- se impedido? “Minha decisão foi técnica”, sustenta, sem maiores detalhes.

Apesar do quadro desfavorável, o governador, que se for cassado perderá os direitos políticos por três anos, garante que não tem planos de renunciar. “Meu mandato foi conquistado legitimamente nas urnas, e o programa (que distribuiu os cheques) é programa social do governo”, afirma Cunha Lima, que se reelegeu no segundo turno com apenas 52,8 mil votos à frente de José Maranhão.

8/8/2007


 
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