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Economia & Negócios  
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A batalha dos pneus
Governo quer proibir a importação de usados. Por trás da decisão, uma briga de R$ 15 bilhões. E para o consumidor, o que é melhor?

LANA PINHEIRO

A luta está quente. De um lado do ringue estão as importadoras de pneus, do outro as fabricantes ligadas à Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip). A briga começou em 2004 quando o Brasil proibiu a importação, depois de mais de dez anos de trânsito livre. A partir daí, diversas liminares permitiram que mais de 20 milhões de usados fossem importados. Após os vários rounds, a luta caminha para o fim e em três meses a Justiça brasileira decidirá quem ficará com o mercado brasileiro. Tudo caminha para a proibição definitiva da importação. Assim as fabricantes reinarão absolutas. Ou quase. Em uma cartada de mestre, as duas grandes importadoras de pneus, a BS Colway e a Pneuback, anunciaram que vão transferir a produção para o Paraguai. Assim continuarão a vender reformados no Brasil dentro da lei no Mercosul, que permite o trânsito regional de reformados. A batalha é complicada, mas justificável. O troféu é um mercado que consome 60 milhões de pneus por ano e fatura R$ 15 bilhões. Mas tudo isso não passaria de um capricho comercial se ao fim da luta não sobrasse para o Brasil um imenso passivo ambiental que também é uma questão de saúde: o pneu velho é criadouro do mosquito da dengue.

A Europa proibiu o descarte de pneus em aterros. Ao mesmo tempo, entrou com um processo na Organização Mundial de Comércio para obrigar o Brasil a aceitar os seus pneus reformados. O argumento é que, se o Brasil, mesmo que por liminares, permite a entrada de pneus, então não há motivos para impedir a importação de reformados. O governo percebeu a incoerência e prepara um anteprojeto de lei proibindo a entrada de quaisquer resíduos danosos ao meio ambiente e à saúde. Principalmente pneus. Os importadores não gostaram da idéia. Francisco Simeão, presidente da BS Colway, diz que o setor é injustiçado e afirma que para importar quatro unidades as companhias recolhem e dão destinação correta para cinco carcaças brasileiras. “Só não uso carcaça nacional na reforma porque ela é de má qualidade”, afirma Simeão. A Anip contesta. Para Vilhien Soares, diretor-executivo da entidade, a questão é custo. “Trazer pneus da Europa é bem menos complicado do que coletar o produto brasileiro, selecioná-lo e reformá-lo.” Para o consumidor, a questão é complicada. O pneu reciclado custa 30% menos do que um novo, mas o seu desgaste também é mais rápido e pode ser um risco à segurança. Já os pneus novos têm garantia da fábrica, mas pesam muito mais no bolso. A escolha final depende do bolso de quem compra.

“NÃO USO CARCAÇA NACIONAL NA REFORMA DE PNEUS PORQUE ELA É DE MÁ QUALIDADE”
Francisco Simeão, presidente da BS Colway

 

1/8/2007


 
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