ISTOÉ - Independente
 
   
  EDIÇÃO ATUAL
  EDIÇÕES ANTERIORES
  ESPECIAIS
   
   
  CAPA
  REPORTAGENS
  CIÊNCIA E TECNOLOGIA
  BRASIL
  COMPORTAMENTO
  MEDICINA & BEM ESTAR
  MEIO AMBIENTE
  ECONOMIA E NEGÓCIOS
  CULTURA
   
   
  EDITORIAL
  ENTREVISTA
  A SEMANA
  GENTE
  EM CARTAZ
  OPINIÃO & IDÉIAS
  SEU BOLSO
  BASTIDORES
   
   
  FALE CONOSCO
  EXPEDIENTE
  ANUNCIE
  ASSINE ISTOÉ
  LOJA 3
   
   
 



Opinião & Idéias  
Imprimir
 
Opinião & Idéias

A GRANDE CHANCE
Cláudio Camargo

A substituição de Waldir Pires por Nelson Jobim no Ministério da Defesa neste momento dramático da crise aérea no País pode finalmente criar condições para que a Pasta se afirme, no médio prazo, como órgão unificado da Defesa Nacional. Jobim não é especialista na área, mas tem a fama de se aprofundar em assuntos aos quais se dedica, tem apetite pelo poder e vocação de comando. Dessa maneira, o ex-ministro da Justiça e expresidente do STF tem todas as condições para exercer a autoridade que faltou a seus antecessores.

Criado oficialmente em 1999, o Ministério da Defesa sempre enfrentou forte oposição das Forças Armadas, cujos comandos jamais se conformaram em perder o status de ministérios. Para agravar o impasse, os governos FHC e Lula entregaram a Pasta a políticos inapetentes e sem afinidade com a área, que assim se tornavam reféns dos comandantes. A exceção foi José Viegas, primeiro titular do governo Lula, que caiu quando trombou com o comandante do Exército e o Planalto não teve coragem para defendê-lo.

O desafio de Jobim é bem mais grave, porque ele tem pela frente o hercúleo trabalho de domar o catastrófico apagão aéreo que se abateu sobre o País. Obteve carta branca de Lula e, se obtiver êxito nesta empreitada, o resto será relativamente fácil. Terá, então, condições de acabar com o estigma da caserna contra paisanos chefiando a Defesa. Há um bom precedente: João Pandiá Calógeras (1870-1934), o único civil a ocupar o Ministério da Guerra durante a República. Engenheiro de formação e político por vocação, ele promoveu a partir de 1919 a mais profunda modernização até então no Exército brasileiro. Ganhou respeito dos militares e, em 1922, teve peito para mandar prender o marechal Hermes da Fonseca, ex-presidente da República, e fechar o Clube Militar, quando estes se envolveram em questões políticas.

A sorte está lançada.

Cláudio Camargo é Editorialista e Editor da Revista ISTOÉ

A POLÍTICA SEM ACM
JOSÉ LUCIANO DIAS

Não sou daqueles que consideravam o senador Antônio Carlos Magalhães mais um “coronel” da política nordestina. Não se deve subestimar a inteligência do eleitor da Bahia, nem perder de vista a bem-sucedida adaptação de uma liderança tradicional ao ambiente competitivo da democracia brasileira. Ele foi um dos primeiros a deixar o abrigo do regime militar para se aventurar nas urnas. Ganhou e perdeu eleições, sem alterar seu rumo. Era inclemente com seus adversários? Sim, mas explorar as conseqüências de uma vitória eleitoral é da essência da competição política.

Também não é compatível com o figurino de um “coronel” cercar-se de competências e produzir vocações. Um breve exame do cenário político baiano revelará toda uma geração de políticos- gerentes, como o ex-governador Paulo Souto, o ex-senador Tourinho, o ex-prefeito Imbassahy e tantos outros, formados sob a sua liderança. Ele sempre soube usar o instrumento moderno da democracia: a construção de um partido político, o seu PFL.

Mas essa não é toda a história. Sobre a plataforma moderna que soube tornar vitoriosa operava, porém, o homem com carisma e personalidade próprios, cujo sucesso estendia a viabilidade de um estilo antigo de fazer política. A política brasileira, sem ACM, passará por mais uma rodada de transformação. No plano local, a perda de sua liderança pessoal ameaça a sobrevivência do “carlismo”. No plano nacional, sai de cena uma liderança popular, com votos, mas também pouco interessada na formulação ideológica. ACM era um líder incontestável de votos, mas não estava perfeitamente alinhado com os planos de modernização dos Democratas. Os grupos do Centro-Sul devem ampliar sua influência no partido. Curiosamente, é uma nova realidade que se alinha à distribuição do voto nas eleições de 2006: oposição voltada para o Sul-Sudeste e situação gravitando para o Nordeste.

José Luciano Dias é Mestre e Doutor em Ciência Política pelo Iuperj. Sócio da CAC Consultoria Política

1/8/2007


 
Receba as informações de Isto É semanalmente em seu e-mail:
 
 
 
 
 
 




 
 
 
 
 
   
 
Imprimir

   
       

© Copyright 1996-2008 Editora Três
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.

ContentStuff - Media Solutions