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Entrevista  
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GILBERTO KASSAB
''A responsabilidade é do Governo Federal'
O prefeito de São Paulo ataca a política de aviação do País e cobra segurança ou o fechamento do Aeroporto de Congonhas

Por CARLOS JOSÉ MARQUES, CLÁUDIO CAMARGO E LUCIANO SUASSUNA

ISTOÉ – Como o sr. avalia atitudes de desdém como o gesto obsceno do assessor Marco Aurélio Garcia?
Kassab – Eu considero que foram manifestações infelizes, muito infelizes. Desrespeitosas para com a Nação brasileira. Mas também não quero ir por esse caminho porque é desviar o foco. O foco é: o que fazer para recuperar a qualidade da nossa aviação civil, em termos de conforto e segurança? O que precisamos é definitivamente ter coragem de afirmar: ou dotamos Congonhas de condições de segurança ou é melhor fechar.

ISTOÉ – De um a dez, que nota o sr. daria ao presidente Lula neste episódio?
Kassab – Eu prefiro avaliar a nossa aviação e a política de aviação do governo federal, que é o seu governo...

NUNO GUIMARÃES/BRAINPIX
“A relação (da prefeitura com o governo federal) é boa, é correta e eu deixo isso público. É muito positivo para a democracia"

ISTOÉ – E que nota daria a eles?
Kassab – Prefiro não dar nota. Avalio muito mal.

ISTOÉ – O prédio da TAM vai virar uma praça mesmo?
Kassab – Vai. A prefeitura decidiu desapropriar o local. É uma homenagem às vítimas, aos seus familiares, e também uma maneira de lembramos ao Brasil a importância de repensarmos a política da aviação brasileira. Mas a hora continua sendo a de dar apoio às famílias das vítimas, em especial àquelas que não tiveram ainda o corpo de seus parentes ou amigos identificado.

ISTOÉ – O DataFolha diz que o número de pessoas que acha seu governo bom ou ótimo pulou de 15% para 30%. A que o sr. atribui esse aumento?
Kassab – Todas as nossas ações estão voltadas para fazer o melhor possível pela cidade. Nenhuma delas está atrelada a um objetivo de pesquisas, de serem bem avaliadas. Por outro lado, é muito gratificante, seja para o prefeito, seja para a equipe, saber que institutos com credibilidade avaliam positivamente o nosso trabalho. O importante é estarmos colhendo bons resultados. Esse é o nosso único objetivo. É muito gratificante que a população reconheça isso; traz entusiasmo para continuar o trabalho.

ISTOÉ – O sr. vai disputar a reeleição?
Kassab – Isso não está na pauta; posso ser, posso não ser. Não trabalho por um reconhecimento para a reeleição. Na hora certa vamos discutir os dirigentes que compõem os partidos da aliança (PSDB-DEM). Eu mesmo sou dirigente de um dos partidos, me sinto credenciado para uma posição partidária. No ano que vem, a aliança encontrará um candidato e eu o apoiarei.

ISTOÉ – Como está a relação entre a Prefeitura de São Paulo e o governo federal?
Kassab – A relação é boa, é correta e em todo momento eu tenho deixado isso público, porque é importante para mostrar maturidade dos nossos governantes e é muito positivo para a democracia brasileira. É importante que isso seja dito e repetido e essa correção nas relações tem feito com que vários avanços aconteçam na cidade em diversas áreas – além da excelente relação que existe com o governo do Estado.

ISTOÉ – O sr. nem parece oposição...
Kassab – Acho que a relação administrativa não pode ser partidária. Eu defendo essa posição em qualquer ambiente, até dentro de instâncias partidárias.

 

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1/8/2007


 
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