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Entrevista  
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GILBERTO KASSAB
''A responsabilidade é do Governo Federal'
O prefeito de São Paulo ataca a política de aviação do País e cobra segurança ou o fechamento do Aeroporto de Congonhas

Por CARLOS JOSÉ MARQUES, CLÁUDIO CAMARGO E LUCIANO SUASSUNA

PAULO LIEBERT/AE
"Eu quero que se reduza o número de operações no Aeroporto de Congonhas. Isso é uma decisão para agora”

ISTOÉ – Desde o acidente com o Boeing da Gol houve muita discussão mas nenhuma ação concreta. O sr. acredita que algo vai mudar?
Kassab – O que estamos debatendo é a questão da segurança dos aeroportos, as medidas a serem adotadas. Eu quero que reduza o número de operações no Aeroporto de Congonhas. A cidade, o País, o Estado exigem. Isso não é uma decisão para dois, três meses. É uma decisão para agora.

ISTOÉ – Todo mundo da aviação fala que a solução mais imediata é a construção do terceiro terminal de Guarulhos.
Kassab – Eu, como engenheiro, tenho certeza, e há muito tempo. Eu não sei por que não ampliar Guarulhos. Eu não sou contra um novo aeroporto. Mas a ampliação de Guarulhos é urgente. Devemos trazer para essa discussão o Ministério Público, o Tribunal de Contas.

ISTOÉ – Os paulistanos sempre se dividiram entre o temor de ter um aeroporto plantado no meio da cidade e o conforto de poder se deslocar mais facilmente.
Kassab – O paulistano quer o Aeroporto de Congonhas. Mas com segurança.

ISTOÉ – Caso essas medidas para garantir a segurança sejam inviáveis, o sr. é favorável a que se feche o aeroporto?
Kassab – Se não tivermos a transformação de Congonhas, para compatibilizá- lo com normas de segurança rigorosas, eu sou o primeiro a defender o seu fechamento. Congonhas é um aeroporto operacional, ajuda a cidade, ajuda o País, é bem localizado, mas tem que operar com 100% de segurança.

ISTOÉ – O sr. acredita que o acidente foi provocado por uma falha de segurança do aeroporto?
Kassab – Não quero me ater ao acidente em si. Seria uma leviandade eu dizer, antes de as investigações serem concluídas, que a culpa foi da pista, do piloto ou do avião.

ISTOÉ – O que o sr. sentiu ao chegar ao local da tragédia?
Kassab – Impotência diante de um acidente tão grave. Eu cheguei no momento em que o choque tinha acabado de acontecer. Senti o choque com a dimensão do acidente, misturada com a vontade de participar do processo para ajudar a salvar as vidas de quem tivesse sobrevivido. Isso vai ficar marcado como a maior tragédia que eu já vi.

ISTOÉ – Se o Airbus tivesse atingido o posto de gasolina ao lado do prédio da TAM vários quarteirões seriam destruídos. Como a prefeitura permite postos de gasolina tão perto de Congonhas?
Kassab – Veja os absurdos que as administrações passadas cometeram. De qualquer modo, não podemos desviar o foco da atenção e o foco é o aeroporto, a aviação civil. Seria um grande erro, uma leviandade, uma irresponsabilidade dos brasileiros, desviar o foco para um prédio, para um posto de gasolina ou para uma asa de avião. O problema é da política de aviação civil do País. Estamos falando da morte de 200 pessoas, de algo muito grave que aconteceu, do desgoverno da nossa aviação civil. Mas é claro que ações pontuais devem ser feitas.

ISTOÉ – Mas existe um número de postos de gasolina nas cercanias da pista que representa um perigo para as operações em Congonhas.
Kassab – Ações que tenham sido equivocadamente cometidas no passado devem ser revistas, mas o mais importante é o presente. Existe hoje uma má condução da nossa política de aviação, as diretrizes estão equivocadas, não estão sendo focados os pontos de segurança, não está sendo avaliada a capacidade dos aeroportos. Tivemos investimentos e reformas, mas nós privilegiamos o cosmético em vez da segurança e da operação.

ISTOÉ – Quem foi o responsável por essa má condução?
Kassab – Nossas autoridades da aviação.

ISTOÉ – Quem?
Kassab – Eu não vou “fulanizar” porque senão ficaremos relatando os responsáveis nos últimos 40 anos.

ISTOÉ – Nos dias subseqüentes à tragédia, as autoridades federais optaram por sair de cena. De outro lado, vimos o prefeito de São Paulo e o governador tomando a dianteira, se deslocando até o aeroporto. Como analisa essa saída de cena das autoridades federais?
Kassab – Foi uma opção do governo ou das autoridades. O governo federal se manifestou. O comandante da Aeronáutica esteve presente. Não quero criticar nem defender a posição do governo federal. Mas eu, como prefeito de São Paulo, tinha que estar lá presente, atuando junto da defesa civil, apoiando as ações do governo do Estado e de todos aqueles voluntários envolvidos na ação de resgate.

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1/8/2007


 
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