ISTOÉ – As instalações esportivas se concentram na Barra, bairro sem metrô ou corredor expresso.
Silva – Até 2016 o metrô deverá chegar à Barra. O governo federal financia a expansão do metrô em São Paulo com recursos do BNDES. São Paulo e Rio vão entrar em colapso se isso não for feito. Quanto ao Rio, a relação do governo federal com o estadual é maravilhosa e os mandatos do presidente e do governador vão até 2010. Em 2008 teremos um novo prefeito, que pode permitir que se some a essa relação maravilhosa uma prefeitura mais vinculada ao processo de desenvolvimento da cidade e do Brasil. Isso ajuda a encurtar o prazo de inauguração de novas estações.
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| ”Não se trata de asilo político porque ele (Rafael Capote) não é um perseguido. Espero que ele tome juízo e volte para os seus” |
ISTOÉ – De quem é a responsabilidade pelas falhas do Pan, como a falta de energia elétrica?
Silva – Em um evento dessa dimensão, é impossível não haver problemas e a capacidade de resolvê-los reforça nossa maturidade. Temos de aprender e exigir, nos futuros contratos, mais compromisso com o cronograma.
ISTOÉ – O Brasil pode virar potência olímpica?
Silva – Nosso esporte é muito futebolizado. Educação física não pode mais ser só uma pelada na escola, em que os melhores jogam e os baixinhos ou gordinhos ficam assistindo. Precisamos de uma cultura esportiva, de ter esporte na escola para todos, manter as crianças por mais tempo na escola. Nenhum país se tornou potência esportiva sem vincular esporte e educação.
ISTOÉ – Estados Unidos e Cuba são exemplos.
Silva – Sim, são dois países diametralmente opostos, mas são duas potências esportivas e devem ficar em primeiro e segundo lugares no Pan. Em ambos, o esporte está colado à educação. Eu vi o hóquei sobre grama das argentinas, que ganharam de 21 a zero do Brasil. Sabe por quê? O hóquei na Argentina está no currículo escolar.
ISTOÉ – O lutador Diogo Silva, primeiro ouro do Brasil no Pan, foi excluído do Bolsa-Atleta. Por quê?
Silva – Eu o conheço e o admiro pela capacidade, inteligência e rebeldia. É importante atletas terem opiniões políticas porque tudo na vida depende de decisões políticas. Me empenhei pessoalmente e cheguei a alertá-lo sobre os critérios do programa. Temos um prazo largo para a inscrição e é lamentável que ele tenha perdido. Espero que não perca mais.
ISTOÉ – Um dos principais patrocinadores do Pan é uma marca de cerveja. Não é incompatível com o esporte?
Silva – Atividade esportiva é incompatível com o consumo de qualquer substância que provoque impacto no rendimento. Agora, eu aposto mais nos esclarecimentos sobre os riscos, na educação das pessoas, na sua capacidade de discernimento do que na proibição. Aposto mais na emancipação da pessoa, na capacidade de tomar decisão por si só e não influenciada pelo marketing.
ISTOÉ – O sr. fuma ou bebe?
Silva – Não fumo. Bebo socialmente cerveja e vinho.
ISTOÉ – O sr. será candidato ao Senado em 2010?
Silva – Minha missão é ser um excelente ministro. Tenho uma trajetória de militância no PCdoB, que tem um projeto de transformação do País. Ter um mandato depende de conjunturas, oportunidades. Não faz parte dos meus planos hoje participar de qualquer disputa eleitoral. Amanhã é amanhã.
ISTOÉ – O PCdoB integra um bloco sem o PT. A esquerda está se distanciando do PT?
Silva – O PCdoB tem uma aliança com o PT desde 1988, com Luiza Erundina. Apoiamos o presidente em todas as eleições, mas temos também aliança com outros partidos. Somos um ator na cena política nacional e não precisamos viver a reboque do PT. O PCdoB pode ter personalidade própria, protagonismo. O ambiente do País exige que o partido se lance mais para a sociedade, amplie seu leque de alianças para além da esquerda para promover as mudanças que o País exige. Assim como nós apoiamos o PT nos últimos 20 anos, temos o direito de reivindicar o apoio do PT onde formos disputar.
ISTOÉ – Onde espera o apoio do PT em 2008?
Silva – Vamos pedir apoio do PT para Aldo Rebelo ser candidato a prefeito de São Paulo. O PT teve nosso apoio em São Paulo várias vezes. Aldo tem uma história de serviços prestados ao País fantástica. É um líder respeitado pelos partidos e uma ótima alternativa.
ISTOÉ – Mas o PT abriria mão de apoiar tantos caciques, como Marta Suplicy?
Silva – A Marta está muito bem, faz um trabalho maravilhoso no Turismo e os sinais que recebo é que ela continuará no Ministério, o que abriria a possibilidade de o PT apoiar Aldo Rebelo. O PT aprendeu a fazer aliança e não pode, agora, desaprender, deixar de fazer aliança com seus tradicionais aliados.
ISTOÉ – É verdade que o sr. tinha um acordo com Agnelo Queiroz, de que ele voltaria ao Ministério?
Silva – Isso não existe, é uma ficção. Quem nomeia ministro é o presidente. Não existe possibilidade de acordo que não passe pelo presidente. Agnelo é um companheiro de partido, fez um ótimo trabalho nos Esportes e aceitou uma mi ssão difícil de disputar: o Senado em Brasília. Se tivéssemos mais tempo, teríamos ganho e parte da crise hoje em curso não existiria.
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| “Pediremos apoio do PT para que Aldo Rebelo seja candidato a prefeito. Já apoiamos várias vezes o PT em São Paulo“ |
ISTOÉ – O sr. atribuiu as vaias ao presidente Lula na abertura do Pan a uma orquestração. Da parte de quem?
Silva – Andei em Copacabana no dia seguinte e fui cercado o dia inteiro. As pessoas diziam: “Ministro, diga ao presidente que nós estamos com vergonha, aquilo não reflete o sentimento do povo carioca. Estamos felizes com o Pan e reconhecemos o papel do governo federal e do presidente.” Este é o sentimento do Rio. O que aconteceu no Maracanã foi um fato isolado. Acho que foi montado porque dava para perceber claramente que veio de uma área próxima à tribuna.
ISTOÉ – De convidados da prefeitura?
Silva – Depois fui apurar e descobri que havia a concentração ali de convidados de determinado ente governamental e que a vaia partiu dali – claro que não foi da Presidência nem do governo estadual. Ficou nítido. Há outros fatos. Na tribuna presidencial, familiares do prefeito César Maia tomaram assento de autoridades do governo federal. É inaceitável, um problema de cortesia, quase de educação doméstica. Isso tudo vai virar uma nota de pé de página da história, proporcional à mesquinhez da atitude. O que vai ficar para a história do esporte é a magnitude e o sucesso do evento.
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