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Depois da prisão
Zuleido Veras, dono da Gautama, fala pela primeira vez sobre as acusações de corrupção em obras públicas e conta suas relações com políticos fisgados pela Operação Navalha da Polícia Federal

Por LEONARDO ATTUCH E MÁRIO SIMAS FILHO

ISTOÉ - Há sensibilidade para esse problema?
Zuleido -
Acredito que sim. A ministra Eliana Calmon, por exemplo, permitiu que vendêssemos um imóvel para ajudar a resolver esse problema.

ANDRÉ DUSEK
"Emprestei minha lancha a um assessor. Não sabia que ela seria usada pela ministra Dilma (abaixo) e pelo governador Jaques Wagner
ANDRÉ DUSEK

ISTOÉ - Mas o Tribunal de Contas da União também estuda declarar a Gautama uma empresa "inidônea". Qual seria a conseqüência disso?
Zuleido -
A morte da empresa e o fim de três mil empregos. E seria também uma grande injustiça. Todas as nossas obras, além de ganhas em licitação, estão sendo executadas no prazo. Já fizemos 60 obras, em 12 anos, e apenas cinco tiveram restrições no TCU. Existem empreiteiras que têm mais de 100 obras com ressalvas no Tribunal.

ISTOÉ - Sua casa, em Lauro de Freitas, vale mesmo R$ 5 milhões?
Zuleido -
Não sei. Eu comprei a casa por US$ 220 mil. Depois comprei outros terrenos ao lado, chegando a US$ 500 mil e fui melhorando. É uma coisa compatível com o meu trabalho. Nos últimos 38 anos, tirei quatro meses de férias apenas. Vivi sempre para o trabalho e fui diretor da OAS durante dez anos antes de criar a Gautama.

ISTOÉ - Dizia-se que o sr. era o "embaixador" da OAS em Brasília.
Zuleido -
Não é verdade. Mas estive lá num momento muito importante, no fim do governo Sarney e no início do governo Collor, em que a construtora deu um salto muito importante e entrou para o clube das grandes.

ISTOÉ - O que é estar no clube dos grandes?
Zuleido -
É faturar mais de R$ 500 milhões por ano e esse era o sonho que eu tinha para a Gautama.

ISTOÉ - O sr. acredita que isso ainda é possível?
Zuleido -
Estamos pensando apenas em sobreviver. E hoje as nossas obras não estão mais sendo pagas. Tudo parou, à exceção de duas obras, Pratagy e Ipojuca, que já foram auditadas e continuam em execução. Vamos ter que nos ajustar, mas seria importante que todas as obras fossem terminadas. Caso contrário, o prejuízo seria muito maior. Só para fazer uma nova licitação, perderiam pelo menos mais um ano. Além disso, nós também poderíamos entrar na Justiça para defender nossos contratos.

ISTOÉ - É verdade que o sr. deu o nome Gautama à empresa depois de se converter ao budismo?
Zuleido -
Conversa. Sempre fui católico. Apenas gostava do nome.

ISTOÉ - As contas da empresa estão bloquedas e os salários dos seus empregados estão atrasados. Não seria bom nomear um administrador judicial?
Zuleido -
Se o problema é o Zuleido, essa é uma possibilidade que deve ser considerada. O mais importante é preservar a empresa e os empregos.

ISTOÉ - Como o sr. acha que a história irá terminar?
Zuleido -
Tenho certeza absoluta de que eu e todos os nossos diretores seremos inocentados. O que aconteceu comigo pode acontecer com qualquer empreiteiro. Aliás, pode acontecer com qualquer empresário e isso é muito ruim para o País.

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5/7/2007


 
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