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| "Doei R$ 40 mil para a campanha de três deputados. Para o governador Puccinelli (abaixo) e para o senador Papaléo Paes dei R$ 100 mil" |
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ISTOÉ - Sobre essas pontes, os grampos da Polícia Federal mostram que a Gautama pressionava para receber por mais área construída sem que se fizesse um contrato aditivo. Essa não é uma forma de o empreiteiro lucrar mais do que estava previsto no contrato inicial?
Zuleido - As medições são as coisas mais legítimas que existem. O empresário quer cobrar o serviço que prestou. E o fiscal quer engolir a medição. Essa briga é eterna. Mas fazer a medição nem sempre significa receber.
ISTOÉ - Mas os policiais concluem que haveria pagamento de propinas para facilitar as medições e evitar os aditivos. Isso não é verdade?
Zuleido - É fantasia. Um grampo sempre permite interpretações. E nós fomos monitorados durante mais de um ano. Nenhum empresário, mesmo fazendo a coisa certa, resiste a isso.
ISTOÉ - A Gautama não negociou para receber a medição maior sem a necessidade de novo contrato?
Zuleido - Não. Não havia mesmo necessidade de aditivos. Como tínhamos mais de 100 pontes para fazer e em 14 houve maior metragem, a diferença poderia sair das outras. Se fosse preciso um contrato aditivo poderia ser feito no final da obra e não naquele momento.
ISTOÉ - Pelas conversas gravadas, pode-se concluir que o problema foi resolvido sem o novo contrato e que em seguida Geraldo Magela, ex-funcionário do governo estadual, lhe cobra uma "Caloi". O que isso quer dizer?
Zuleido - Quer dizer isso mesmo. Ele cobrou o pagamento dele, pois trabalhou para nós e tinha que receber. Só que seu trabalho nada tinha a ver com funções no governo estadual.
ISTOÉ - Qual a sua relação com o governador Jaques Wagner, da Bahia?
Zuleido - Nenhuma.
ISTOÉ - Os grampos da PF mostram que a Gautama usou o nome do governador para se aproximar do prefeito de Camaçari.
Zuleido - O que meu filho Rodolpho fazia em Camaçari era uma prospecção normal de negócios.
ISTOÉ - E qual a sua relação com a ministra Dilma Rousseff?
Zuleido - Nunca conversei com ela.
ISTOÉ - Mas o governador da Bahia e a ministra passearam em sua lancha. É normal o sr. emprestar a lancha para pessoas que não conhece?
Zuleido - É comum os amigos pedirem a lancha emprestada. Eu sempre a oferecia a um assessor meu, chamado Guilherme Sodré, e num fim de semana, ele me pediu. Emprestei e nem sabia que seria usada pelo governador. Muito menos pela ministra Dilma Rousseff.
ISTOÉ - Depois de tudo isso as pessoas continuam a pedir a lancha emprestada?
Zuleido - Ninguém pediu mais. A lancha está apreendida, como todos os meus bens.
ISTOÉ - Qual a sua relação com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL)?
Zuleido - Eu o conheço desde 1986, pois fui diretor da OAS em Maceió. Tenho relações normais com ele, assim como com o governador Teotônio Villela.
ISTOÉ - O sr. tem um contrato de saneamento na Prefeitura de Mauá, na Grande São Paulo, que chega a R$ 1,5 bilhão?
Zuleido - Mas é um contrato que hoje gera um faturamento anual de R$ 24 milhões. Estamos falando de uma concessão de 30 anos.
ISTOÉ - Como foi a sua prisão?
Zuleido - Eu estava em São Paulo e foi uma coisa terrível. A primeira reação de quem tem uma empresa e trabalha corretamente, pagando todos os impostos, é de surpresa. Você não acredita, fica tonto. Ainda mais quando você é responsável por três mil funcionários e se vê recebendo uma voz de prisão, num quarto de hotel.
ISTOÉ - E como o sr. reagiu ao ver que seu filho também estava sendo preso?
Zuleido - Uma coisa que não dá nem para falar. É o pior momento de sua vida. Algo que eu não desejo para ninguém.
ISTOÉ - Restam-lhe amigos?
Zuleido - Poucos. Nós temos que estar de braços abertos para receber os amigos de volta, mas o fato é que poucos retornam.
ISTOÉ - Como a Gautama poderá sobreviver de agora em diante?
Zuleido - É o novo exercício que estamos fazendo. Todas as nossas contas ainda estão bloqueadas e os salários dos operários nas obras estão com dois meses de atraso. Estamos tentando convencer o Judiciário a rever essa situação.
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