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Recrie o seu cérebro
Como? Andando, correndo, escalando, pedalando, jogando tênis...


O perigo das carnes - De qualquer tipo, principalmente a vermelha. Se forem grelhadas, fritas ou cozidas tornam-se tóxicas para os neurônios. Quanto mais processadas, pior. Ao ponto são menos nocivas

Essas descobertas da neurociência também apontam benefícios para a memória. Os especialistas perceberam que a mágica proteína tem potencial para turbinar as lembranças guardadas há dias e meses. Estudos divulgados este ano pelos renomados cientistas Ivan Izquierdo e Martin Cammarota, do Centro de Memória da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, confirmam as conexões entre o BDNF e a memória. Eles a suprimiram em ratos e viram que os animais simplesmente ignoraram objetos já conhecidos ou perderam a noção de espaço. "Ficamos surpresos ao perceber que existe ação dessa proteína até 12 horas depois da aquisição da memória recente", diz Cammarota. Eles notaram ainda que a substância entra em cena toda vez que uma informação arquivada é solicitada pelo cérebro.

Diante dessas informações, ninguém precisa ser um Albert Einstein para concluir que estimular a produção do BDNF melhora a performance do cérebro. Mas os neurocientistas ressaltam que é fundamental investigar com quais outros agentes bioquímicos ele interage no organismo. É possível que se descubra, no futuro, que a proteína não faz milagres sozinha. O fato é que a atividade física tem sido uma boa aposta para a saúde cerebral por vias que até agora são pouco compreendidas. Estudos demonstram que ela pode retardar os efeitos do mal de Alzheimer, doença neurodegenerativa que apresenta a perda de memória entre seus sintomas. Em indivíduos que tinham o hábito de malhar verificou-se que a enfermidade tardou mais a chegar. E pesquisas com animais sugerem que a ginástica diminui a formação de placas semelhantes às encontradas no cérebro de portadores de Alzheimer.

Novas dúvidas, evidentemente, surgem por causa dos avanços da neurociência. Uma delas é sobre a relevância da proliferação dos neurônios. "Não adianta ter muitas células nervosas se elas não estiverem conectadas e ativas", diz o psiquiatra Henrique Del Nero, professor da Universidade de São Paulo. Ele fez exames de imagem no cérebro de cinco pessoas com sintomas de demência após longa dependência de álcool e drogas. E viu que, apesar de os neurônios estarem vivos e nos seus devidos lugares, poucos trabalhavam: "Diversas áreas do cérebro estavam com um padrão preguiçoso." O passo adiante dado por Del Nero foi tratar esses pacientes com os mesmos remédios empregados contra Alzheimer e, sobretudo, com exercícios intensos. "Eles tiveram uma melhora impressionante."

Outra questão é saber qual o melhor exercício para rejuvenescer o cérebro, aprimorar a memória e aumentar a nossa inteligência. Os cientistas não fecharam questão quanto a isso. Mas os estudos indicam que os mais benéficos são aqueles que promovem condicionamento cardiovascular - caso da caminhada. Os exercícios devem durar mais de 20 minutos, ser praticados durante cinco dias na semana e ter intensidade moderada. Isso não significa que esportes ou atividades que exigem mais força da musculatura não possam surtir efeito. O detalhe é que as pesquisas ainda não conseguiram comprovar esse benefício.

Um aspecto discutido largamente é por que, se a atividade física é tão essencial para nos tornar mais espertos, não se encontram tantos gênios entre os atletas. Para os especialistas, tudo depende da nossa noção de inteligência. Desportistas como craques do futebol (acostumados a sofisticados treinamentos) podem não dominar física quântica ou geometria. Do ponto de vista da neurociência, porém, os intensos treinos os tornam mais inteligentes, sim. "As comunicações entre neurônios ficam mais rápidas, bem como as respostas. A máquina funciona muito melhor", diz Ribeiro. Por outro lado, um mestre da matemática pode ter uma péssima noção espacial e se perder nas ruas de sua cidade. Quem dá esse exemplo é o pesquisador Gómez-Pinilla, da Ucla. Captado esse ponto, resta a dúvida se é exagero pedir para o filho se exercitar na semana anterior a uma prova. "Não é. Fazer uma atividade física com regularidade não faz mal. E para a criança pode ser uma brincadeira que vai ativar os mecanismos cerebrais", diz o professor. E conclui: "Nós passamos muito tempo sentados e nosso organismo foi criado, ao longo da evolução humana, para ser movimentado. Então, mexa-se e recupere o potencial do seu cérebro."

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6/6/2007


 
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