Harmonia, suavidade, precisão - e uma leve dificuldade com o idioma do chefe. Essas são as características da bela coreografia Palpable criada pelo bailarino grego Andonis Foniadakis para a Cia. Sociedade Masculina - estréia na terça-feira 5, no Teatro Alfa, em São Paulo. Não se trata de mais uma obra trivial de dança contemporânea e há nela uma marcante peculiaridade: não existem mulheres no corpo de baile. Às vésperas da estréia, os oito dançarinos de formação clássica e contemporânea atravessaram exaustivos ensaios para aliar a velocidade e a destreza das seqüências à sutileza dos passos - normalmente executados por bailarinas. Na concentração criativa do Estúdio 3, onde a trupe se exercitou, não havia períodos de hesitação nos movimentos e as variações exigiam flexibilidade e preparo técnico aguçado - rotina cumprida durante um mês, de quatro a cinco horas por dia. Detalhe: o coreógrafo, grego, dava as ordens em inglês, e um dos bailarinos as traduzia para o grupo. Mais: a coreografia não foi montada "sobre" a música, o que significa que, nos ensaios, primeiro se dançava, depois se adaptava diversos gêneros musicais à marcação estabelecida. Foniadakis se define como um coreógrafo que exige mais que preparo físico dos homens que querem dançar. "É preciso inteligência", diz ele.
 |
DANÇAR COM A CABEÇA
Os bailarinos ensaiam de quatro a cinco horas por dia. Segundo o coreógrafo Foniadakis (à esq.), eles devem exercitar a inteligência |