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Entrevista  
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FERNANDO GABEIRA
''Toda greve tem seus limites''
O deputado critica a ocupação da USP, o movimento no Ibama, a invasão de Tucuruí e modera o discurso sobre liberação da maconha

Por HUGO STUDART E RUDOLFO LAGO

JANILSON FLORES/AE
"Em Tucuruí, a ação foi violenta. Apertaram botões que não sabiam para que serviam. Podiam ter provocado um desastre"

ISTOÉ - Se fosse estudante hoje, o sr. estaria na reitoria ou na sala de aula?
Gabeira - A gente percebe que existe uma divisão entre os cursos de humanidades e os cursos técnicos. Se eu estivesse num curso técnico, talvez estivesse trabalhando. Mas, mesmo que estivesse no movimento, eu teria uma discordância. Eu sou mais pela luta política dentro dos limites legais. Possivelmente, estaria junto, mas discordando do caminho.

ISTOÉ - O governo criou regras para estabelecer limites para a programação das TVs. Essa programação deveria ter limites?
Gabeira - O único limite aceitável é o do controle remoto. Muda de canal, desliga a tevê.

ISTOÉ - Chegou a hora da união civil entre pessoas do mesmo sexo?
Gabeira -
Se você entender o casamento como deve ser, sem conotação religiosa, mas como uma união entre duas pessoas, mais do que chegou a hora. É como a abolição da escravatura. Será que, de novo, nós só vamos fazer quando já tiver acontecido em todo o mundo? Nossa sociedade já está madura para isso.

ISTOÉ - E, no caso da legalização das drogas, a sociedade também está madura?
Gabeira - Nesse caso, não. Não aconteceu a liberação das drogas onde a polícia, a autoridade, também não tenha evoluído. Na Holanda, por exemplo, é liberado nos coffe-shops, mas com câmeras ligadas. Na Inglaterra, quem pediu para liberar em certas áreas foi a própria polícia. Não é um conceito de liberou geral. Mas de estabelecer um controle mais sutil. O Estado tem de se fortalecer para garantir esse direito. A verdade é que o nível de controle em uma sociedade em que a droga é liberada acaba sendo um nível de controle maior do que os que existem em lugares onde é proibido.

ISTOÉ - O sr. retrocedeu em relação ao que defendia antes sobre isso?
Gabeira - Quando comecei a examinar isso de perto, vi que a liberação só se dava em sociedades mais avançadas, e não em sociedades corrompidas como a nossa.

ISTOÉ - O sr. falou em corporativismos. No Congresso o debate dos escândalos se dá também mais no nível da defesa uns dos outros.
Gabeira - A solidariedade no Congresso se dá mais em torno dos denunciados do que com relação aos flagelados que não tiveram as suas casas concluídas por conta de obras de habitação superfaturadas. Existe uma visão de "nós, os eleitos" e a sociedade. Muitas vezes, a sociedade ganha o nome de "mídia". E, aí, gera uma hostilidade contra aqueles que procuram responder à sociedade através da mídia. Interpretam como uma vontade de aparecer. A relação com a mídia tem de ser um trabalho cotidiano.

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6/6/2007


 
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