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12 de março de 1997

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O retorno do Barba Negra
Caçadores de tesouros acham navio do mais terrível dos piratas





NORTON GODOY

A tática era invariavelmente a mesma. Com a ajuda de uma luneta, ele descobria a identidade da bandeira do navio a ser atacado. As mesmas cores eram então hasteadas em seu próprio barco para facilitar a aproximação sem levantar suspeitas. Perto o suficiente para iniciar o ataque, o temido símbolo da caveira sobre dois ossos cruzados tomava o lugar da falsa bandeira. Tiros de canhão eram disparados para atingir o costado do navio inimigo, como um sinal para a rendição incondicional. Os navios mercantes geralmente se entregavam sem luta. Caso contrário, eram invadidos por piratas que o assaltavam por meio de cordas presas a ganchos, disparados contra as velas. Assim agia Barba Negra, apelido do pirata mais famoso de que a história tem notícia e personagem real imortalizado em A ilha do tesouro, de Robert Louis Stevenson. Os destroços de seu navio, o Queen Anne's Revenge (A Vingança da Rainha Anne), afundado em 1718, foram finalmente descobertos a meros seis metros de profundidade, presos ao fundo enlameado da costa do Estado americano da Carolina do Norte. Algumas peças, como um sino datado de 1709, um cano de bacamarte (fuzil com a ponta em forma de corneta) e pedaços de canhões, foram trazidas à tona em novembro pela Intersal, empresa de pesquisa submarina que se dedica a procurar tesouros afundados. O achado só foi revelado na segunda-feira 3 porque especialistas passaram três meses certificando a origem do navio. "Temos mais de 90% de certeza de que se trata da nau capitânea do Barba Negra", disse Phil Masters, arqueólogo e presidente da Intersal. Ele espera recuperar os US$ 300 mil que investiu nos dez anos da empreitada, e mais uma boa margem de lucro, vendendo os direitos para um livro e um filme sobre o achado. Mas disse não ter nenhuma esperança de achar o tesouro do pirata. Antes de morrer, Barba Negra havia contado a seus homens que a maior parte dos objetos de valor de seus saques estava enterrada dentro de um baú. Mas não revelou a ninguém o local.

O verdadeiro nome do Barba Negra era Edward Teach, um marinheiro inglês nascido em 1690, que antes de se tornar pirata foi empregado pela rainha Anne da Inglaterra na guerra naval contra a Marinha francesa. Na passagem do século XVII para o XVIII, as grandes potências da época usavam o expediente de empregar mercenários do mar para atacar e saquear navios inimigos. Com o fim da guerra, estes bucaneiros oficiais perderam um emprego rentável, já que costumavam desviar parte do saque. Muitos, como Teach, passaram a atuar de forma independente, formando bandos de piratas. Investindo na sua fama de violento, o pirata inglês adotou um visual mais ameaçador: fez trancinhas na longa barba negra, vestiu roupas escuras e enfiou cinco pistolas e duas espadas na sua farta cintura. Barba Negra começou a atuar na costa atlântica dos Estados Unidos e da Jamaica em 1716. O valor do butim era tão alto que, por mais de um ano, o pirata fez uma sociedade clandestina com o governador da Carolina do Norte, então uma colônia britânica.

Em 1718, Londres decidiu banir de vez a pirataria, concedendo uma anistia geral a todos os piratas. Teach chegou a apreciar a vida em terra, casando-se pela 14a vez. Mas o apelo do mar e da aventura do saque foi irresistível. Barba Negra voltou à ativa. Para combatê-lo, o governo da colônia na América usou os serviços de um espião, que denunciou o esconderijo do pirata. Surpreendido por uma emboscada, Barba Negra foi morto com mais de nove tiros de pistola e mosquetão e uma facada no pescoço. Robert Maynard, o tenente da Marinha britânica que chefiou a ação, cortou a cabeça de Teach e pendurou-a no mastro principal de seu navio para provar a todos que a legendária figura não existia mais.




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