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ENTREVISTA
Quarta-feira, 13 de fevereiro de 2002
continua...
MAX GONÇALVES
"O CONSUMIDOR ESTÁ ÓRFÃO"

Presidente da Fenasoft anuncia mudanças no maior
evento de tecnologia do País e critica as multinacionais
que só se importam com o mercado corporativo

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Darcio Oliveira

Julio Vilela  

Maximiano Augusto Gonçalves Filho, o Max da Fenasoft, está numa fase de mudanças. A feira nacional de softwares, que ele criou há 20 anos e que se transformou em uma das maiores referências do setor de tecnologia no Brasil, passa por transformações importantes este ano. A começar pela data. Não acontecerá mais em julho como foi nos últimos seis anos, mas em abril. O objetivo é não rivalizar com a Comdex, outra importante feira do setor. O Anhembi, em São Paulo, também deixa de ser o palco do megaevento. A partir de agora a Fenasoft se transfere para o Expo Center Norte. “É maior e menos burocrático”, explica. Tem mais: a Fenasoft não será mais um evento de “rótulos”. Esqueça a feira do varejo, a feira das pontocom, a feira corporativa. O empresário promete reunir todas as tribos, movimentando-as em diferentes pavilhões do Expo Norte. “Será um evento geograficamente dirigido”, explica. Há ainda em curso um processo de internacionalização da Feira. Em maio, Gonçalves estréia no mercado europeu. Um acordo com a Exponor, ligada à Confederação Nacional do Comércio de Portugal, levará a exposição à cidade do Porto. “Também fui procurado pelos chineses para criar a Fenasoft Oriente”, conta ele.

Gonçalves mudou tudo. Só manteve intacto o discurso polêmico. Na entrevista que concedeu a DINHEIRO, em seu escritório na cidade de Florianópolis, o empresário falou do futuro do setor, da popularização dos computadores e também aproveitou para cutucar as multinacionais. Segundo ele, as grandes empresas estão muito preocupadas com o mercado corporativo e esquecendo o consumidor. “Por causa de distorções como esta é que o Brasil ficou na rabeira da tecnologia.” As farpas, o empresário garante, nada têm a ver com a ausência dos gigantes do setor nas últimas edições de sua feira. Acompanhe a seguir outras idéias do senhor Fenasoft.

DINHEIRO – Nas últimas edições da Fenasoft houve críticas do mercado em relação à mudança de postura do evento. A impressão é de que ela se transformou num varejão, uma espécie de UD tecnológica. O que o sr. pretende explorar nesta edição de 2002?
Max Gonçalves – Bendito País que tem um varejo de tecnologia. Quando o Brasil criou o varejo de televisão, criou um País que hoje tem o maior número de aparelhos de televisão funcionando no mundo. Pelo tamanho da Fenasoft e pela quantidade de visitantes – nós temos uma visitação que nunca é inferior a 470, 500 mil pessoas, com piques extraordinários de 1 milhão – me parece fácil e simplista rotulá-la jocosamente de feira do varejo. O que nós fizemos foi criar o acesso e é isso que falta à tecnologia. Democratizamos o processo. Agora, é um erro achar que a Fenasoft se preocupa apenas com um segmento. Neste ano, por conta da mudança do Anhembi para o Expo Norte, nós vamos aproveitar todos os pavilhões e criar espaços geograficamente determinados.

 


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