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O PESO DO DÓLAR NO PESO
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Quebrar
contratos não é propriamente uma novidade em se tratando
de governos do primeiro ou terceiro mundo. Mas o que empreendeu
a Argentina, na semana passada, em se tratando de asfixia de um
setor, vai além do suportável. Ao converter dívidas
em dólar para peso com um calote consolidado nas instituições
hoje estimado da ordem de US$ 30 bilhões o governo
Duhalde basicamente aniquilou, de maneira temporária ou não,
o oxigênio que fluía no sistema financeiro daquele
país. Qualquer correntista medianamente informado, em qualquer
parte do planeta, sabe que bancos se alimentam do lucro angariado
entre o dinheiro que toma mais barato e o que empresta mais caro.
Na simples conversão portenha, quem devia um dólar
passou a dever apenas um peso com deságio
arrasador já que um dólar estava valendo, por esses
dias, cerca de 2,4 pesos. Entre bancos perplexos pelo tamanho da
tungada e clientes ávidos por salvar suas economias, Duhalde
insistia no passageiro instrumento de sucessivos feriados bancários,
agravando a convulsão social. Abriu-se ainda, em meio a crise,
uma brecha jurídica de poder devastador contra as pretensões
governamentais de estabilizar o sistema: a Argentina assinou tempos
atrás um tratado internacional que se sobrepõe até
a sua Constituição. Por ele, qualquer conflito ou
diferença de entendimento com bancos estrangeiros deve ser
julgado por um tribunal arbitral em Washington, com munição
para cobrar como dívida externa as pendências entre
o país em questão e as instituições.
Foi o preço pago por ter aberto mão de sua soberania
sobre o sistema. Quando largou as porteiras do mercado para que
bancos de fora se instalassem sem regulação, os argentinos
estavam decerto mexendo equivocadamente numa daquelas áreas
ditas estratégicas de cada nação. Com um grande
peso em dólar que o Peso terá de pagar. Fica
a lição.
Carlos
José Marques
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