Veja também outros sites:
Clique para vê-la ampliada
EDIÇÃO Nº 1795
 Capa
 Índice
 ISTOÉ São Paulo
 Exclusivo Online
 EDITORIAS
 Artes & Espetáculos
 Brasil
 Ciência & Tecnologia
 Comportamento
 Economia & Negócios
 Internacional
 Medicina & Bem-Estar
 SEÇÕES
 A Semana
 Avenida Brasil
 Cartas
 Editorial
 Em Cartaz
 Entrevista
 Fax Brasília
 Século 21
 Viva Bem
 SERVIÇOS
 Edições Anteriores
 Biblioteca
 Fale Conosco
 Newsletter
 Assinaturas
 Publicidade
 Expediente
 
 Busca
 Procure outras matérias
  BRASIL 03/03/2004
Lavanderia  

Bomba suíça
Justiça de Genebra manda extratos e promotor vai processar e multar Maluf em bilhões de reais por desvio de dinheiro público

Madi Rodrigues

  Ricardo Giraldez / Piti Reali
  Para Nicéia, que denunciou as contas de Maluf e de Celso Pitta, a independência do MP foi decisiva

Agora vai. Ou melhor, vem. A Câmara de Direito Público do Tribunal Federal de Justiça da Suíça, em Lausanne, vai mandar para o Brasil cópias da documentação bancária do ex-prefeito Paulo Maluf (PP). Há dois anos, o Ministério Público paulista tenta obter cópias dos extratos de Maluf, prefeito de São Paulo entre 1993 e 1996. A chegada da documentação é apenas uma questão de dias. “Obedecendo aos trâmites legais, o dossiê sobre as contas da família Maluf será entregue à Embaixada do Brasil, em Berna, depois da publicação da sentença da corte suíça, e chegará ao País nos próximos 30 dias”, acredita o promotor Silvio Antônio Marques. A notícia sobre os extratos de Maluf repercutiu no Exterior. A decisão da Justiça suíça foi tema de reportagem do jornalista Jean-Noël Cuénod, do journal Tribune de Genève com o sugestivo título: “Justiça de Genebra vai lançar bomba política no Brasil.”

Nesse caso, especificamente, a história toda começou em setembro de 2001, quando o Citibank, de Genebra, suspeitou de uma transferência de US$ 200 milhões para sua filial na Ilha de Jersey – paraíso fiscal localizado no canal da Mancha. O dinheiro depositado em duas contas em nome de Maluf e seus familiares está bloqueado. Na época, o governo suíço informou às autoridades brasileiras que o ex-prefeito manteve a conta no Citibank de Genebra, entre 1985 e 1997, quando então o transferiu para a agência de Jersey.

Investigado também no Brasil pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, Maluf bate na mesma tecla desde o surgimento do escândalo: “Não tenho e nunca tive conta no Exterior.
A divulgação dessa notícia é manobra de caráter político eleitoral”,
foi o que ele, mais uma vez, mandou dizer a ISTOÉ, na quinta-feira 26, através de seu assessor de imprensa, Adilson Laranjeira. O promotor rebate: “A Suíça só libera documentos bancários se houver prova da origem criminosa do dinheiro. E eu as tenho e as enviei.” E acrescenta: “Estamos ganhando tanto no caso do Maluf quanto no do (Celso) Pitta (ex-prefeito de São Paulo). A maior parte do dinheiro é de origem do superfaturamento de obras públicas, entre elas a avenida Águas Espraiadas e o Túnel Ayrton Senna.”

Mesma linha – Celso Pitta – secretário municipal de Finanças na administração de Paulo Maluf – sucedeu o chefe na administração
paulista entre 1997 e 2000. Para um secretário que virou prefeito, em 1999 Pitta já estava bem de vida. Tinha mais de US$ 1 milhão no Multi Commercial Bank, de Zurique. Desse total, US$ 930 mil foram transferidos para Guernesey, outro paraíso fiscal no canal da Mancha, vizinho a Jersey. “Os extratos de Pitta já estão no Brasil, sendo traduzidos; chegaram semana passada”, garantiu Silvio Marques. Pitta usou a mesma tática do padrinho e mandou dizer, pelo assessor e ex-secretário de Comunicação de seu governo (Antenor Braido): “Não tenho conta na Suíça, nem em Guernesey, nem em qualquer outro lugar. O caso, em questão tem mais conotação política do que jurídica”.

Com os extratos bancários, o promotor Silvio Marques vai poder entrar com uma ação de improbidade administrativa contra os ex-prefeitos. “Vou pedir a devolução do dinheiro aos cofres do município e também a aplicação de uma multa de US$ 600 milhões”, que, convertidos, somente no caso de Maluf chegam a R$ 2,3 bilhões”, contabilizou. O promotor está confiante: “Durante esses dois anos eu travei uma luta árdua para ter acesso a essa documentação. Produzi provas, ouvi mais de 50 pessoas, mais de 50 sigilos foram quebrados. Maluf recorreu em Genebra três vezes e perdeu todas. Eu tenho uma montanha de provas de que houve superfaturamento na construção da avenida Águas Espraiadas.” Uma das principais testemunhas de Marques é Nicéia Camargo, ex-mulher de Pitta. “Denunciei todo o esquema de corrupção e de envio de dinheiro para contas no Exterior. Considero a vinda desses extratos uma vitória do Ministério Público, que acreditou na minha pessoa”, diz Nicéia, que já sofreu diversas ameaças de morte e dezenas de processos por causa das acusações. “Fui processada civil e criminalmente em cerca de 50 processos. Até agora fui absolvida em todos eles.”

A Suíça não é o único país que investiga as supostas operações financeiras realizadas por Paulo Maluf. Há suspeitas de que ele tenha realizado operações irregulares em instituições financeiras na França
e nos Estados Unidos. A promotoria de Nova York, por exemplo,
investiga o envio de dinheiro do Brasil para a Suíça. Depois de tantas negativas, ele admite ter apenas uma conta fora do País: na França. Em 24 de julho de 2003, ele foi detido em Paris, em uma agência do banco Crédit Agricole, para esclarecer a origem de US$ 1,46 milhão – depositado pela Fundação Blackbird, empresa de seu filho Flávio Maluf, em Liechtenstein, que mantém uma conta no Banco Barings, em Genebra. Maluf teve ainda que explicar duas transferências – de US$ 73,8 mil e US$ 116 mil – feitas pela mulher, Sylvia, para o Crédit Agricole. Na época, declarou: “Abri a conta por motivos fúteis” para arrematar em seguida: “O dinheiro tem uma origem maravilhosa. É produto da venda de um terreno adquirido por meu pai na década de 40.” Essa conta também está bloqueada, dessa vez pelos franceses.

 
 
O QUE VESTIR?

Teste as opções do guia da Moda de ISTOÉ e confira como é fácil se vestir sem
medo de errar

HOMEM MULHER
ENQUETE

Qual instituição pública desperta sua confiança?

PESQUISA

Que tipo de reação você espera do governo Lula em relação ao caso Waldomiro Diniz?

DIVIRTA-SE

Você consegue identificar uma
fraude fotográfica?

RELICÁRIO

Madri expõe objetos recolhidos por naturalistas no Brasil antes da expedição de Charles Darwin

AMOR PERFEITO
Avalie se você, de fato, conhece sua cara metade
INTERATIVOS
Kama Sutra
Altar virtual
Jardim Perfumado
Tarô
Realejo
 
| ISTOÉ DINHEIRO | ISTOÉ GENTE | PLANETA | EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE | AVISO LEGAL |
© Copyright 2004 Editora Três