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 ENTREVISTA
03/03/2004
Marconi Perillo
Sem necessidade de CPI

Governador não vê envolvimento de autoridades no
caso Waldomiro e defende compensação para perda
de arrecadação com bingos

Eduardo Hollanda

  Ichiro Guerra

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), vai perder R$ 2 milhões mensais de arrecadação por causa da medida provisória baixada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que proibiu o funcionamento dos bingos em todo o País. O dinheiro vem dos impostos cobrados pelo governo goiano dos bingos, legalizados desde 1999, e é integralmente destinado para programas sociais que atendem mais de 150 mil famílias carentes no Estado com o pagamento de meio salário mínimo mensal. Marconi, que foi reeleito no primeiro turno em 2002 com mais de 1,3 milhão de votos, apesar do prejuízo, acolheu a decisão do governo e mandou fechar os bingos. Se continuarem proibidos, ele espera que o governo encontre uma opção, que pode até ser a estatização. Ao analisar o escândalo Waldomiro Diniz, o governador não vê motivos para a instalação de uma CPI para investigar as operações do ex- assessor da Casa Civil. Segundo ele, os atos de Waldomiro foram isolados, e não há indícios de envolvimento de autoridades do governo Lula no episódio. Ele acredita que as investigações feitas pela Polícia Federal serão suficientes e punirão os responsáveis. Partidário fervoroso da volta dos trens, o governador pensa até em ligar Brasília a Goiânia com um trem rápido e defende a ligação ferroviária do Brasil ao Chile, abrindo a sonhada saída para o Pacífico. Marconi também defende uma política integrada de desenvolvimento que corrija as desigualdades regionais, ponto de partida para o fim, no futuro, da guerra fiscal, da qual Goiás, em seu governo, foi um dos grandes beneficiados. Pioneiro em políticas compensatórias de complementação de renda, ele já unificou em Goiás projetos como Bolsa-Escola e Bolsa-Família, entre outros. A seguir, os principais trechos da entrevista de Marconi Perillo a ISTOÉ.

ISTOÉ – O caso Waldomiro Diniz pode ser o primeiro grande escândalo do governo Lula. Como o sr. analisa o episódio?
Marconi –
O que se espera é que haja rigorosa investigação e consequente punição dos responsáveis.

ISTOÉ – Na sua opinião, trata-se de um caso de instalação de uma CPI, como defende, por exemplo, seu partido, o PSDB?
Marconi –
Eu acatarei a decisão da bancada do PSDB no Congresso. Mas não vejo indícios no caso que comprometam autoridades do governo federal comprovadamente.

ISTOÉ – Na esteira do escândalo, o governo federal baixou
uma medida provisória proibindo o funcionamento dos bingos
no País. Em Goiás, os bingos estão legalizados e contribuem
com um parcela significativa de impostos. Como encara a
decisão do governo?
Marconi –
A MP que proíbe os bingos está sendo rigorosamente
acolhida em Goiás. Creio que a Justiça vai dissipar as dúvidas
existentes na matéria e dará à questão o encaminhamento correto. Espero que o governo federal sinalize com uma alternativa aos Estados que perderão receitas. Goiás, por exemplo, perderá R$ 2 milhões por mês, valor o que os bingos, por força de contrato, recolhem aos cofres públicos e que são integralmente empregados no custeio do Programa de Renda Mínima, que atende hoje 150 mil famílias. Talvez a saída seja uma instituição financeira da própria União assumir a administração e o controle dos bingos.

ISTOÉ – Como tem sido seu relacionamento com o governo Lula?
Marconi –
Tenho uma relação pessoal de amizade com o presidente, que considero uma pessoa bem intencionada. Foi ele quem pessoalmente colocou as obras do Aeroporto de Goiânia, uma prioridade do Estado, também como prioridade para o governo federal. Tenho mantido bom relacionamento com os ministros José Dirceu (Casa Civil), Dilma Rousseff (Minas e Energia), Roberto Rodrigues (Agricultura), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Marina Silva (Meio Ambiente) e Aldo Rebelo (Articulação Política), por exemplo. Mas, apesar de Goiás estar cumprindo rigorosamente o ajuste fiscal, pagando mais de R$ 3 bilhões ao governo e ter melhorado consideravelmente seu perfil de endividamento, até hoje ainda não consegui ser recebido pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci.

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