| Marconi
Perillo |
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| Sem
necessidade de CPI |
| Governador
não vê envolvimento de autoridades no
caso Waldomiro e defende compensação para perda
de arrecadação com bingos
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Eduardo
Hollanda
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O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), vai perder
R$ 2 milhões mensais de arrecadação por causa
da medida provisória baixada pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva que proibiu o funcionamento dos bingos em todo o País.
O dinheiro vem dos impostos cobrados pelo governo goiano dos bingos,
legalizados desde 1999, e é integralmente destinado para
programas sociais que atendem mais de 150 mil famílias carentes
no Estado com o pagamento de meio salário mínimo mensal.
Marconi, que foi reeleito no primeiro turno em 2002 com mais de
1,3 milhão de votos, apesar do prejuízo, acolheu a
decisão do governo e mandou fechar os bingos. Se continuarem
proibidos, ele espera que o governo encontre uma opção,
que pode até ser a estatização. Ao analisar
o escândalo Waldomiro Diniz, o governador não vê
motivos para a instalação de uma CPI para investigar
as operações do ex- assessor da Casa Civil. Segundo
ele, os atos de Waldomiro foram isolados, e não há
indícios de envolvimento de autoridades do governo Lula no
episódio. Ele acredita que as investigações
feitas pela Polícia Federal serão suficientes e punirão
os responsáveis. Partidário fervoroso da volta dos
trens, o governador pensa até em ligar Brasília a
Goiânia com um trem rápido e defende a ligação
ferroviária do Brasil ao Chile, abrindo a sonhada saída
para o Pacífico. Marconi também defende uma política
integrada de desenvolvimento que corrija as desigualdades regionais,
ponto de partida para o fim, no futuro, da guerra fiscal, da qual
Goiás, em seu governo, foi um dos grandes beneficiados. Pioneiro
em políticas compensatórias de complementação
de renda, ele já unificou em Goiás projetos como Bolsa-Escola
e Bolsa-Família, entre outros. A seguir, os principais trechos
da entrevista de Marconi Perillo a ISTOÉ.
ISTOÉ – O caso Waldomiro Diniz pode ser o
primeiro grande escândalo do governo Lula. Como o sr. analisa
o episódio?
Marconi – O que se espera é que haja rigorosa
investigação e consequente punição dos
responsáveis.
ISTOÉ – Na sua opinião, trata-se de
um caso de instalação de uma CPI, como defende, por
exemplo, seu partido, o PSDB?
Marconi – Eu acatarei a decisão da bancada
do PSDB no Congresso. Mas não vejo indícios no caso
que comprometam autoridades do governo federal comprovadamente.
ISTOÉ – Na esteira do escândalo, o governo
federal baixou
uma medida provisória proibindo o funcionamento dos bingos
no País. Em Goiás, os bingos estão legalizados
e contribuem
com um parcela significativa de impostos. Como encara a
decisão do governo?
Marconi – A MP que proíbe os bingos está
sendo rigorosamente
acolhida em Goiás. Creio que a Justiça vai dissipar
as dúvidas
existentes na matéria e dará à questão
o encaminhamento correto. Espero que o governo federal sinalize
com uma alternativa aos Estados que perderão receitas. Goiás,
por exemplo, perderá R$ 2 milhões por mês, valor
o que os bingos, por força de contrato, recolhem aos cofres
públicos e que são integralmente empregados no custeio
do Programa de Renda Mínima, que atende hoje 150 mil famílias.
Talvez a saída seja uma instituição financeira
da própria União assumir a administração
e o controle dos bingos.
ISTOÉ – Como tem sido seu relacionamento com
o governo Lula?
Marconi – Tenho uma relação pessoal
de amizade com o presidente, que considero uma pessoa bem intencionada.
Foi ele quem pessoalmente colocou as obras do Aeroporto de Goiânia,
uma prioridade do Estado, também como prioridade para o governo
federal. Tenho mantido bom relacionamento com os ministros José
Dirceu (Casa Civil), Dilma Rousseff (Minas e Energia), Roberto Rodrigues
(Agricultura), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior), Marina Silva (Meio Ambiente) e Aldo
Rebelo (Articulação Política), por exemplo.
Mas, apesar de Goiás estar cumprindo rigorosamente o ajuste
fiscal, pagando mais de R$ 3 bilhões ao governo e ter melhorado
consideravelmente seu perfil de endividamento, até hoje ainda
não consegui ser recebido pelo ministro da Fazenda, Antônio
Palocci.
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