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Por Tales Faria
Colaborou:
Ricardo Miranda
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Palocci
versus José Dirceu
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Um
assunto que deixa o Palácio do Planalto de cabelo em pé:
com o escândalo Waldomiro Diniz, o ministro da Fazenda,
Antônio Palocci, agora está livre da oposição interna
à política econômica praticada pelo ministro José Dirceu.
Mas o economista Paulo
Nogueira Batista Junior, respeitadíssimo no PT, mexeu
no vespeiro. Escreveu um artigo que está sendo leitura
obrigatória no partido.
Ele lamenta o enfraquecimento de Dirceu: “Digamos que,
para
certos setores e certos interesses, foi uma coincidência
de rara felicidade. O resultado final pode ser o fortalecimento
relativo de
uma equipe econômica pró-mercado financeiro dentro de
um
governo enfraquecido e diminuído. Já vimos esse filme
algumas
vezes. É do tipo que passa em reprises sucessivas na sessão
da tarde, com elenco sofrível e enredo rigorosamente previsível.”
Diz mais o sombrio Nogueira Batista: “Me parece crucial
o impacto do escândalo sobre a distribuição do poder dentro
do governo. A redistribuição tende a fortalecer a área
econômica e, dependendo da duração e do alcance da crise
política, pode desembocar na domesticação completa e definitiva
do governo Lula.” |
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Crise
político-econômica
Na contabilidade da crise, assessores do ministro da Fazenda,
Antônio Palocci, já admitem que foi perdido um semestre. A expectativa
era de que, após o arrocho de 2003, esse ano começasse já com a
retomada do crescimento. Com o Waldomirogate, na melhor das hipóteses,
fica tudo adiado para o segundo semestre. Na pior das hipóteses,
nem no segundo semestre. Aí, Lula terá perdido dois anos, metade
de seu governo.
CPI
da encrenca
Enquanto trabalha para abafar a CPI do Waldomirogate em Brasília,
o PT anda preocupado com a sua similar no Rio de Janeiro. É que,
na terça-feira 2, será instaurada a CPI da Loterj, que vai investigar
a atuação de Waldomiro Diniz nas loterias do Estado. Junto com a
CPI da Rioprevi, que vai apurar um prejuízo de R$ 25 milhões em
aplicações no mercado financeiro durante a gestão Benedita da Silva.
Pior, com tudo transmitido ao vivo pela Net, no canal 12 de tevê
da Assembléia Legislativa do Rio.
Ibama manso e caro
No último ano do governo FHC, o Ibama lavrou quase 28 mil multas
contra crimes ambientais, arrecadando R$ 346 milhões. Para isso,
os fiscais gastaram R$ 13 milhões. No primeiro ano do mandato
petista, foram registradas apenas oito mil multas e a arrecadação
caiu para R$ 167,4 milhões. Atuando no governo, os dirigentes das
ONGs ambientalistas estão mais mansos. Só não economizaram em dinheiro:
o custo petista por multa lavrada em 2003 foi 191% maior
que o do último ano do governo tucano.
A
gelada do lobby
A guerra entre a Dolly e a Coca-Cola foi parar na Secretaria de
Defesa Econômica (SDE). Mas quem anda preocupado mesmo é o Palácio
do Planalto. Descobriu-se que, além do velho Alexandre Paes Santos
– o APS –, o lobby dos refrigerantes em Brasília conta com figuras
de
peso do marketing governista.
Rápidas
Cresceu na crise o petista João Paulo Cunha. Agora, não
há no partido quem duvide de que o governo trabalhará por sua reeleição
para presidente da Casa. Junto com Sarney no Senado.
Escaldado pelo escândalo Bispo Rodrigues, o chefão da Igreja
Universal, bispo Edir Macedo, mandou que sejam feitos rodízios entre
os bispos de seu grupo em todos os Estados.
No Planalto, quem mais tem feito força a favor de José Dirceu
é a primeira-dama Marisa Letícia. Ela e Dirceu faziam tabelinha
na marcação das audiências de Lula após o almoço.
Quem lembra é o jurista Saulo Ramos: a medida provisória
dos Bingos, chamada MP 168, tem o mesmo número da MP que,
no governo Collor, confiscou a poupança.
A Universidade de Brasília vai oferecer o primeiro curso
sobre parceria pública e privada (o PPP) do País. Começará a partir
de 15 de abril e será voltado para a área de Transportes.
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