|
Cuidado
com o doente!
Na sexta-feira 27, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) mostrou que os problemas a serem resolvidos no Brasil são
muito mais graves que o caso Waldomiro – que é grave.
Os números
do desemprego de janeiro deste ano e do Produto Interno Bruto (PIB)
de 2003 mostram que o governo não pode se deixar distrair.
Ele
precisa concentrar todas as suas energias na solução
do problema econômico – e, quanto mais rápido
for resolvido o imbróglio do ex-assessor e das verbas de
campanha, melhor para o País. O pacote de más notícias
do IBGE incluiu a queda do PIB de 2003: 0,2% em relação
a 2002. Pior resultado desde 1992. O IBGE também mostrou
que o desemprego em janeiro subiu para 11,7%. Em janeiro do ano
passado, estava em 11,2% e, em dezembro, em 10,9%.
A impressão que se tem é que houve um problema de
timing. Antes
da divulgação desses números tenebrosos, pelo
menos os juros
deveriam estar apontando de novo para baixo, mesmo que fosse o tal
viés de baixa. E, se já estamos entrando no terceiro
mês do segundo
ano e a taxa Selic continua nos 16,5%, tudo indica que o governo
se distraiu demais olhando para o Waldomiro. O governo passou 2003
fazendo a lição de casa. Convenceu a opinião
pública interna e externa de que não se tratava de
um bando de esquerdistas malucos que
haviam assumido o poder, praticou uma brilhante política
externa, usou
à exaustão a imagem de que, na economia, se tratava,
sim, da
aplicação de remédios amargos, mas que, mais
para a frente, viriam os efeitos benéficos. E, na hora de
mostrar que logo, logo, as coisas tenderiam para uma melhora, reaparece
o tal do Waldomiro e sua promiscuidade com o jogo e com verbas de
campanha.
Aí pára tudo. A mídia, enlouquecida, se perde
na desesperada busca
de pedras para atirar na vidraça nova recém-atingida
e, fora de mira,
o Banco Central, qual um médico desvairado e obcecado por
inflação, continua aplicando o tal remédio
amargo, mantendo os juros vergonhosamente altos. Gente, cuidado
com o doente! Como disse o governador de Minas, Aécio Neves:
“O caso Waldomiro é um problema grave e tem de ser
investigado. Mas temos um país em construção
e não podemos permitir que isto o paralise. Os indicadores
econômicos estão muito frágeis. Nosso papel
é cobrar investigações, mas ao mesmo tempo
ajudar para que o Brasil não pare.”
Hélio Campos Mello, Diretor de Redação
|