| ARTES
& ESPETÁCULOS |
18/09/2002
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| Cinema
II |
Besteirol inteligente
Austin Powers em o homem do membro
de ouro traz um Mike Myers ainda mais divertido
Luiz Chagas
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| MYERS:
cacoetes psicodélicos dos anos 60 trazidos para a década de
70 |
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Comédias baseadas num único personagem costumam
ter vida curta, pois rir da mesma piada cansa. Mas o humorista canadense
Mike Myers, saído do elenco de Saturday night live
– programa americano de televisão há milênios
no ar –, tem jogo de cintura suficiente para garantir risadas
de seu personagem que entra no terceiro filme. Austin Powers
em o homem do membro de ouro (Austin Powers in goldmember, Estados
Unidos, 2002), em cartaz nacional, dá sequência à
série iniciada com Austin Powers – 007 um agente
nada discreto (1997) e seguida por Austin Powers –
o agente Bond cama (1999). Mas O homem do membro de ouro,
seguramente, é o melhor. Novamente dirigido por Jay Roach
– e com Michael Caine como Nigel Powers, o pai do espião,
e Beyoncé Knowles, do grupo Destiny’s Child, no papel
da perigosa Foxxy Cleopatra, a beldade de plantão –,
a fita é um besteirol inteligente. Austin Powers poderia
ser definido como a soma dos Beatles com o James Bond de Sean Connery,
dois dos grandes ícones britânicos dos anos 60, época
da Swingin’ London, em que sexo consumia-se como sorvete,
as drogas transformavam o mundo em desenho animado e o rock era
a trilha sonora da vida.
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BEYONCÉ,
do grupo Destiny’s Child: de estrela pop a uma perigosa
e bela vilã |
Assim, Myers criou o agente secreto que foi congelado e transportado
para os dias de hoje sem perder os cacoetes psicodélicos.
É também da década das transformações
que saltam o vilão dr. Evil (o próprio Myers) e seus
agregados, Mini-Mim (Verne Troyer), seu clone anão, e Scott
Evil (Seth Green), o filho extremamente revoltado. Através
de uma máquina do tempo, na verdade um carrão, o grupo
viaja por períodos da história recente tendo como
desculpa alguma trama para a dominação do mundo urdida
por dr. Evil e seu parceiro, o holandês Johann van der Smut,
o tal Goldmember, também vivido por Myers. Neste episódio,
eles caem na era disco dos anos 70 com direito a participação
especial de John Travolta. Por sinal, a cena de abertura, uma das
mais hilariantes vistas recentemente, assim como outros momentos
do filme, é pontilhada de celebridades – de Steven
Spielberg a Ozzy Osbourne. Em tempo: nos anos 60, Michael Caine
estrelou uma sátira a 007 na qual usava óculos. Sem
querer, o ator já se transformava no pai de Austin Powers.
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