CAPA
 ÍNDICE
 ENTREVISTA
 Editorias
 A SEMANA
 COMPORTAMENTO
 BRASIL
 POLÍTICA
 ECONOMIA & NEGÓCIOS
 MEDICINA & BEM-ESTAR
 CIÊNCIA & TECNOLOGIA
 INTERNACIONAL
 ARTES & ESPETÁCULOS
 Seções
 ESTAÇÃO DA LUZ
 FOTO DA SEMANA
 ENSAIOS
 FOTOGRÁFICOS
 GENTE
 FAX BRASÍLIA
 VIVA BEM
 SÉCULO 21
 FINANÇAS PESSOAIS
 EM CARTAZ
 DATAS
 EDITORIAL
 CARTAS
 Busca
  Procure outras matérias
 BIBLIOTECA
 ARQUIVO
 ASSINATURAS
 EXPEDIENTE
 PUBLICIDADE



DINHEIRO


GENTE

PLANETA

ÁGUA NA BOCA
 
CIÊNCIA & TECNOLOGIA
Informática

Com a máquina, não!

Mestre de xadrez da Holanda recusa-se a disputar partidas com computador

Darlene Menconi

AFP

Derrota as táticas de Kasparov foram inúteis contra o poder de Deep Blue

Nos três minutos de intervalo permitidos entre uma jogada e outra, um bom enxadrista consegue planejar seus lances à uma velocidade de dois movimentos por segundo. Se o jogador for o campeão mundial Garry Kasparov, essa capacidade é bem maior. Mas ainda assim muito distante dos 200 milhões de lances que o computador Deep Blue consegue calcular num único segundo. Ao final daqueles míseros três minutos, este supercomputador da IBM, que chegou a derrotar o campeão russo Kasparov em maio de 1997, foi capaz de analisar até 100 bilhões de jogadas. Só então a máquina define qual a melhor peça a ser movida no tabuleiro. É justamente esta desvantagem colossal que está sendo agora alvo de um barulhento protesto, organizado por enxadristas holandeses. Eles não admitem a participação desse tipo de máquina no seu campeonato nacional de xadrez, que acontece até o fim do mês em Roterdã.

O maior protesto partiu do grande mestre do país, Paul van der Sterren, que oficializou sua desistência quando soube que iria enfrentar um supercomputador, o Fritz SSS. Ao todo, 11 jogadores humanos disputam entre si um prêmio em dinheiro. Sterren está fora da bolada, apesar de ser um dos favoritos ao título. A celeuma em torno do enxadrista digital levanta discussões acaloradas desde 1993. O Deep Blue, o possante computador RS/6000 SP da IBM, foi construído em 1985 por uma equipe de três cientistas da universidade americana de Carnegie Mellon. O projeto contou com o auxílio de uma dúzia de especialistas e engenheiros da IBM. Sua missão científica original era conseguir executar simultaneamente milhares de complexos cálculos matemáticos. Além de eficiente cientista, o computador da IBM demonstrou mais tarde ser também um temível adversário quando o assunto é xadrez. Seus 256 chips processadores (comparáveis a igual número de PCs) podem ser programados para planejar exclusivamente as melhores jogadas.

O protesto dos holandeses aponta justamente para essa brutal e injusta diferença. Eles argumentam, com razão, que humanos e máquinas têm qualidades totalmente diferentes. “Nós, por exemplo, não podemos consultar anotações enquanto jogamos, diferente do computador, que mantém muita informação de consulta em sua memória eletrônica”, afirmam. Para recuperar a paz entre seus associados, a direção da federação holandesa dos enxadristas prometeu que, no ano que vem, o computador será barrado no campeonato. Kasparov seguiria o exemplo de Sterren? Esse tipo de competição deveria ser exclusivo de humanos? Afinal, máquinas e computadores foram feitos para servir o homem, não para derrotá-lo de forma humilhante.

© Copyright 1996/2000 Editora Três

LEIA TAMBÉM


Com a máquina, não!

Judeus e árabes: irmãos