
Judeus e árabes: irmãos Pesquisa mostra parentesco profundo entre adversários, apontando uma ancestralidade comum Norton Godoy
Ninguém
estranha quando tem notícia de dois irmãos que vivem às
turras. Mas o que dizer de sujeitos que vivem brigando, mas não
sabem que são tão irmãos quanto parecem? Ainda
mais quando dividem o poder em uma região tão estratégica
para o mundo quanto o Oriente Médio. Mas é o que acontece
hoje com judeus e árabes. Um ambicioso estudo genético,
realizado em conjunto por cientistas dos EUA, de Israel, da Itália,
Grã-Bretanha e África do Sul, colheu amostras do DNA de
1.300 homens das duas etnias em 30 países. Estudando o cromossomo
Y aquela herança genética que é passada apenas
de pai para filho sem nenhuma modificação , obteve-se
a confirmação científica de que todas as comunidades
judaicas espalhadas hoje pelo mundo têm forte parentesco não
apenas entre si, mas também com palestinos, sírios e libaneses.
A pesquisa revela que todos esses povos possuem um ancestral comum:
uma população que teria habitado o Oriente Médio
há quatro mil anos. O estudo
também mostra que todas essas comunidades judaicas conseguiram
manter praticamente intacta sua identidade biológica, mesmo tendo
migrado para regiões tão distintas do planeta. Segundo
o chefe do Departamento de Estudos Judaicos da Universidade de Nova
York, essa pesquisa corrobora os relatos bíblicos, segundo os
quais uma variedade de famílias do Oriente Médio se originou
de um mesmo patriarca. Mas, de acordo com o chefe da pesquisa, Michael
Hammer, os resultados também ajudam a refutar algumas teorias,
como a que afirma que as comunidades judaicas são em sua maioria
formadas por convertidos de outras religiões. Ou então
de que descendem dos chamados khazars, uma suposta tribo medieval turca
que teria adotado o judaísmo como religião. A técnica
que Hammer e seus colegas usaram foi a mesma empregada recentemente
pela equipe de pesquisa do geneticista brasileiro Sérgio Danilo
Pena, que mostrou que o homem branco brasileiro tem uma forte herança
genética indígena e africana (ISTOÉ 1592). No seu
trabalho, Pena já apontava a semelhança genética
entre judeus e árabes, a partir das amostras de DNA colhidas
nas respectivas comunidades brasileiras. Para entender essa técnica
é preciso voltar às origens da evolução
humana, quando todos os cromossomos Y foram perdidos, à exceção
de um, cujos poucos donos não tiveram filhos ou só filhas.
Assim, todos os cromossomos Y de hoje são descendentes de um
único Adão genético, que teria vivido
há 140 mil anos. Então, se nada tivesse mudado, hoje todos
os homens do planeta teriam o mesmo cromossomo Y. Mas ao longo desses
milhares de anos aconteceram pequenos erros na sequência genética
desse cromossomo. Erros que se reproduziram de geração
em geração. São justamente esses pequenos erros
que formam a assinatura que os cientistas procuram para identificar
a ascendência genética das mais diversas etnias humanas. O próprio
Hammer não deixa de apontar as semelhanças entre os resultados
de sua pesquisa e o relato do Gênesis. A afinidade genética
entre judeus e árabes lembra o relato de como Abraão se
tornou pai de Ismael, filho da empregada de sua mulher, Sara, que não
podia ter filhos. Ou, então, quando Sara acabou conseguindo conceber
Isaac. Embora os muçulmanos tenham uma versão diferente
para a mesma história, o fato é que também consideram
Abraão e Ismael, ou Ismail como chamam, seus patriarcas. |
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