Pittanic
Novos
indícios
Documento
indica que sete vereadores teriam recebido R$ 3,1 milhões
em oito meses e leva Ministério Público a apreender computadores
da prefeitura
Gabriela Carelli, Mario Simas Filho
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CÓDIGO Os quatro primeiros
dígitos representam a data de pagamento (8/7)
e os dois últimos o valor (R$ 75 mil) que teria
sido pago. A mala com o dinheiro seria entregue na casa
do vereador
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O
prefeito Celso Pitta e seus aliados passaram as últimas
semanas empenhados em demonstrar que as denúncias de
corrupção feitas pela ex-primeira-dama Nicéa
Pitta não passam de um discurso raivoso e magoado,
sem nenhuma prova concreta das maracutaias. ISTOÉ teve
acesso a um documento (leia fac-símile acima) anônimo
recebido pelo Ministério Público que pode fazer
ruir todo o empenho do prefeito e de seus amigos. O mais novo
e forte indício é uma lista com os nomes, telefones
e endereços de sete vereadores da base governista que
receberiam mesadas para aprovar os projetos de interesse da
prefeitura. Em forma de código, o documento aponta
as datas e as quantias entregues a cada um desses vereadores
de julho do ano passado até fevereiro deste ano. O
total soma R$ 3,1 milhões. Uma dinheirama que teria
sido entregue em espécie no endereço residencial
de cada um dos vereadores citados. O documento foi a gota
dágua que faltava para que o Ministério
Público ampliasse suas ações e desse
início a uma efetiva busca de provas concretas que
confirmem ou não as denúncias de Nicéa.
Na sexta-feira 31, munidos de autorização judicial,
delegados e promotores apreenderam dezenas de computadores
e documentos na Secretaria de Governo. Na casa do secretário
Carlos Augusto Meimberg, foram encontrados computadores sem
a CPU. A justificativa foi a de que elas estavam no conserto.
O objetivo da ação é tentar encontrar
a origem do documento anônimo, comprovadamente redigido
em um computador. A Secretaria de Governo foi a primeira a
ser vistoriada, porque, segundo as declarações
de Nicéa, Meimberg seria o responsável por encaminhar
as propinas aos vereadores. É evidente que não
foi com base em um papel, sem assinatura, que o Ministério
Público solicitou, e a Justiça autorizou, a
apreensão dos computadores da prefeitura. Uma análise
mais detalhada do documento mostra que os dados nele revelados
têm sentido e são coerentes com as acusações
formuladas pela ex-primeira-dama. Na Câmara Municipal,
é voz corrente que alguns vereadores receberiam mesadas
que variariam de R$ 30 mil a R$ 200 mil, dependendo de outros
esquemas que o vereador tenha na prefeitura. Aqueles que controlam
setores mais rentáveis, receberiam menos. Os que não
possuem uma bancada expressiva também. É o caso
do vereador Oswaldo Eneas, expulso recentemente do minúsculo
Prona. Segundo o documento, Eneas teria recebido R$ 320 mil,
sendo R$ 120 mil em dezembro do ano passado duas parcelas
de R$ 50 mil nos dias 7 e 20 e uma parcela de R$ 20 mil no
dia 10. Trata-se de um mês de votações
importantes, como o IPTU e o Orçamento, cujo projeto
sofreu modificações e negociações.
A oposição e parte dos governistas tentaram
reduzir o porcentual de remanejamento de verbas permitido
ao prefeito. No final, o projeto foi aprovado como queria
o Executivo.
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SOBREVIDA O prefeito Celso Pitta, depois de 15 dias
recluso, deixa o gabinete e vistoria obras do fura-fila.
A estratégia de mostrar trabalho para permanecer
no cargo
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Não
sei do que se trata. Se esse dinheiro saiu da prefeitura,
alguém o interceptou no caminho, pois jamais chegou
em minhas mãos, reagiu o vereador Eneas. Também
é voz corrente na Câmara que alguns vereadores
aliados do prefeito chegaram a ficar bastante insatisfeitos
no começo do ano, pois a mesada estaria atrasando.
O documento recebido pelo Ministério Público
e fornecido a ISTOÉ mostra que, além de Eneas,
Miguel Colasuonno (PMDB), Brasil Vita (PPB) e Toninho Paiva
(PFL) teriam deixado de receber em janeiro. O vereador Alan
Lopes (PTB), que, segundo a relação, teria embolsado
R$ 50 mil de julho de 1999 a fevereiro de 2000, em janeiro
teria recebido R$ 25 mil. Assumi o mandato em janeiro
do ano passado e nunca vi tanta lama na minha vida,
disse o petebista. Isso é mais uma acusação
sem prova.
De acordo com o documento, um dos campeões de mesada
seria o vereador Milton Leite (PMDB). Ele teria embolsado
em oito meses R$ 650 mil, sendo R$ 300 mil em setembro e outubro
do ano passado. Milton foi o relator da CPI que investigou
a máfia dos fiscais e foi impedido pela maioria governista
de continuar seus trabalhos. A vereadora Maria Helena (PL),
que já é investigada pelo Ministério
Público e pela polícia em razão de envolvimento
com a máfia dos fiscais, teria sido beneficiada, segundo
o documento, com R$ 380 mil, em mesadas que variam de R$ 40
mil a R$ 50 mil. Em julho, ela teria recebido R$ 90 mil. Maria
Helena fazia parte da comissão que analisou o pedido
de impeachment do prefeito. Na comissão, ela votou
favorável ao afastamento de Pitta. No plenário,
porém, mudou de idéia. A confirmação
de sua mudança foi publicada no Diário Oficial
no final de junho. O peemedebista Miguel Colasuonno seria
outro bem aquinhoado. De acordo com o papel em poder do Ministério
Público, ele teria recebido R$ 425 mil. Dezembro teria
sido o mês de melhor rendimento: R$ 100 mil. Colasuonno
participou da Comissão de Finanças que analisou
o projeto do Orçamento municipal, votado em dezembro.
Um documento anônimo não vale absolutamente
nada. Não podemos trabalhar com indícios e enlamear
uma carreira de 28 anos de vida pública ilibada. Isso
só pode ter partido de gente que tem algum interesse
em me destruir, reclamou Colasuonno. Sou independente
e voto de acordo com os meus princípios.
continua
na próxima página
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