Internet
A
um clique de distância
Sites
de saúde informam, orientam pacientes e até fazem tratamento
online no Brasil
Lena
Castellón
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Foto:
Alan Rodrigues
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Mirtha comprou livro pela rede
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Com
o número cada vez menor dos médicos de família
uma figura quase extinta que se destacava por esclarecer
qualquer dúvida, da cólica do bebê aos
problemas do casal a rede mundial de computadores está
tornando o profissional de saúde o companheiro que
todo paciente gostaria de ter. Os doutores da Web não
têm intimidade com seus clientes, mas estão sempre
disponíveis para uma conversa. Basta procurar um dos
vários endereços disponíveis na Internet
e clicar no serviço indicado para receber, por e-mail,
a orientação desejada. Como no resto do mundo,
sites de saúde se multiplicam no Brasil, oferecendo
do simples abastecimento de informações a consultas
online. E a tendência é aumentar o número
desses sites que suprem uma lacuna na relação
médico-paciente. Há muita desinformação
entre os brasileiros, que sentem que os profissionais de saúde
estão um pouco distantes deles, afirma Fermyno
Gutierrez, diretor-presidente do site gaúcho Saúde
na Internet.
Essa
lacuna já vem sendo explorada por mais de dois mil
sites, número aproximado de endereços armazenados
no banco de dados do serviço de busca Zeek, cujo cadastro
total chega a 100 mil domínios (registros) brasileiros.
Muitos, entretanto, não servem para tirar logo a dúvida
do internauta: ou são pessoais ou apenas informam especialidades
de profissionais, funcionando mais como guia eletrônico
de consultórios. Para se ter uma idéia do que
pode ser considerado realmente útil, basta contar o
número de sites de saúde que se inscreveram
para disputar o iBest 99/2000, espécie de Oscar da
Internet brasileira, cujos vencedores serão conhecidos
no dia 26: 370. Acredito que esta será a última
vez em que pequenos sites vão disputar o prêmio.
Neste ano estão surgindo projetos frutos de grandes
investimentos, que vão revolucionar esse setor,
prevê Marcos Wettreich, presidente da iBest Company,
que organiza o concurso.
As
opções são várias. A maioria dos
sites oferece informações sobre a área
e, em alguns casos, são até bem específicos.
Como o Dietnet, que abastece de notícias a biomédica
boliviana Mirtha Monasterio, 34 anos, radicada há 13
no Brasil. Em meio a viagens virtuais, ela descobriu o site,
que colocou na sua lista de favoritos. Encontro cardápios
que me garantem uma dieta saudável e também
leio notícias novas de saúde, diz. A nutricionista
paulista Lara Natacci Cunha teve a idéia de montar
a página há quatro anos. Segundo ela, cerca
de mil pessoas visitam diariamente o site. Tamanho assédio
levou Lara a escrever os livros DietBook e DietBook Júnior,
que são vendidos pelo site. Como usuária fiel,
Mirtha comprou o seu exemplar.
Já
quem deseja auxílio profissional deve ficar atento
aos avisos feitos pelos sites sérios: a consulta virtual
é complementar e não dispensa a visita a um
médico de carne e osso. Gutierrez, da Saúde
na Internet, conta que um usuário resolveu checar com
o médico virtual do site quais seriam as consequências
da cirurgia que faria no joelho. Ele estava a poucos
dias da operação e ainda se sentia em dúvida,
diz. Como garantir que esse tipo de atendimento é confiável?
No caso do site gaúcho, o esclarecimento foi feito
por um médico da equipe de 15 profissionais de saúde
mantidos pela empresa. Para não cair em páginas
erradas, é preciso cuidado. O infectologista André
Lomar, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em
São Paulo, recomenda que o navegante se afaste de serviços
que não tenham coordenação médica
e busque sites que tenham aval de alguma instituição
de saúde. Ele pode também acessar mais
de um endereço, orienta. Consultor do site SosDoutor,
Lomar há quatro anos se iniciou no mundo virtual. Hoje,
é coordenador do projeto Emílio Ribas na Internet.
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Foto:
Renato Velasco
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Wettreich
crê em revolução nos sites
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Tratamento
Outra dica é pedir a opinião de um médico
sobre o site visitado. Um profissional pode dizer se
a página consultada, mesmo sendo bonitinha ou inventiva,
é séria, se vale a pena, argumenta Luiz
Armando de Araújo, professor de psiquiatria da Universidade
Federal de São Paulo (Unifesp), internauta há
quase sete anos. Araújo é autor de um projeto
de tratamento médico pioneiro. Com o respaldo da universidade,
criou o SosToc, site gratuito para acompanhamento online de
pessoas que sofrem de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC),
distúrbio ansioso que provoca pensamentos ou impulsos
repetitivos (como checar diversas vezes se as portas de casa
estão fechadas). O site elimina o problema da
distância e oferece uma grande interação
com o paciente, que pode seguir os procedimentos do tratamento
mesmo se estiver fora de casa. É só se conectar
em qualquer computador, ressalta. Por enquanto, o serviço
estará disponível a partir deste mês apenas
para 60 pacientes, que passarão por uma triagem online.
Só entra em tratamento quem atender aos critérios
da equipe médica.
Por
ser um fenômeno bastante novo no Brasil, a consulta
online ainda deve render muita polêmica, a exemplo do
que acontece nos Estados Unidos e na Europa. A Associação
Médica Britânica, por exemplo, sugeriu que a
informação na Internet deveria ser avalizada
por doutores. Já a Associação Médica
Americana proibiu anúncios de produtos que coincidam
com o mesmo tema abordado nos artigos médicos. Não
tratou, entretanto, da venda de medicamentos sem prescrição,
atividade realizada no mercado americano que não chegou
por aqui (ainda não há sites brasileiros que
comercializem remédios). Mas até pela velocidade
com que a saúde se expande na Internet, acredita-se
que o usuário aprenderá a navegar com segurança
nesse mundo. Existem pessoas capazes de reconhecer que
estão sendo enganadas, afirma Sandro Fernandes,
diretor-geral da SoftRent, produtora que criou os sites Guia
do Bebê e Guia do Sexo, orientados por 16 médicos
colaboradores. Estamos nos especializando cada vez mais
em relações humanas na Internet. Algo muito
importante tanto dentro quanto fora dela. É esse caminho
que iremos seguir, conclui.
Colaborou Juliane Zaché
Copyright 1996/2000 Editora Três
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