MENTE
| RICARDO
GIRALDEZ |
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Com
a técnica, Astrid se tornou mais segura.
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Terapia
expressa
Falta
de tempo e dinheiro faz crescer a procura por atendimento psicológico
rápido
Sentar-se num divã e passar anos num processo de psicanálise
tem se tornado um prazer difícil. Pouca gente desfruta de
tempo, dinheiro e disposição para encarar sessões
semanais de análise a perder de vista. Por isso, uma modalidade
de terapia que privilegia a rapidez no encontro de soluções
ganha cada vez mais adeptos. É a psicoterapia breve, técnica
com a qual se determina o número de sessões a serem
feitas e o problema a ser discutido. Se a questão é
acabar com a angústia do desemprego, por exemplo, o trabalho
terapêutico é dirigido para isso.
Nos consultórios, a procura por esse tipo de terapia é
cada vez maior. No Rio, até uma clínica especializada
foi aberta recentemente. É o SOS Terapia Breve, que em oito
meses de funcionamento já atendeu mais de 90 pacientes. É
simples entender por que tanto sucesso. "A vida moderna e o
poder aquisitivo das pessoas despertam a demanda para serviços
com tempo menor e eficientes", afirma Ana Bock, presidente
do Conselho Federal de Psicologia. A técnica da psicoterapia
breve, porém, não é nova. Na década
de 20, discípulos de Freud já desenhavam terapias
menos longas do que as criadas pelo pai da psicanálise.
O método ganhou força na Segunda Guerra, nos Estados
Unidos, quando havia muita gente precisando de atendimento e poucos
terapeutas. Para que o tratamento fosse abreviado, novos procedimentos
foram criados. Um deles foi determinar foco na discussão
do motivo que desencadeou a crise. E, hoje, se estabelece a terapia
breve, um trabalho a ser feito em no máximo um ano.
O número de sessões por semana varia de acordo com
a necessidade do paciente. "Uma paciente queria resolver se
iria abortar. Ela fez sessões todos os dias durante 15 dias",
lembra Mauro Hegenberg, coordenador do curso de Psicoterapia Breve
do Instituto Sedes Sapien-tiae, em São Paulo. Se o tempo
combinado não for suficiente, os especialistas sugerem uma
terapia mais de longo prazo ou marcam retornos para depois de algumas
semanas. O objetivo, no entanto, é resolver a angústia
no tempo determinado. Para que isso seja conseguido, há posturas
específicas. "O paciente não se deita no divã.
Ele fica frente a frente com o terapeuta, numa posição
que favorece atenção seletiva", explica a psicóloga
Carolina Ribeiro.
Há
características do paciente que indicam maiores chances de
sucesso da terapia. Ele tem, por exemplo, que desejar mudar. Até
porque é um engano imaginar que a terapia breve é
limitada a tratar os sintomas da crise. "A psicoterapia breve
não visa só a mudança comportamental, mas resolver
o conflito que levou àquela situação",
explica Felícia Knobloch, coordenadora do Núcleo de
Psicoterapia Breve da PUC/SP. Apesar de breve, esse tipo de terapia
pode ir fundo e ajudar o paciente a descobrir outras saídas
na sua vida. Foi o que aconteceu com a pintora Astrid Salles, 58
anos. Convidada para uma exposição na Alemanha, Astrid
ficou insegura e resolveu fazer uma terapia breve, com o psicólogo
Mauro Hegenberg, para decidir se viajaria. Foi para a exposição,
ganhou mais felicidade na profissão e melhorou relacionamentos
pessoais. "Foi muito bom para mim. Fiquei uma profissional
mais segura", conta, satisfeita.
Colaborou Clarisse Meireles
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