SAÚDE
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G. PINTO |
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Vera
colocou dois cilindros de titânio e voltou a fazer
exercícios
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Direto
ao ponto
Cirurgia
com vídeo trata a coluna a partir de pequenos cortes e o
paciente tem alta no mesmo dia
Eduardo
Marini
Os problemas na coluna são encarados como um adversário
forte no universo da saúde pública. Eles castigam
sete em cada dez pessoas acima de 50 anos e são a principal
causa de aposentadoria precoce no Brasil. Nessa multidão
de sofredores, os brasileiros com hérnia de disco e outros
casos com indicação comprovada para cirurgia poderão
se livrar do martírio com a videoendoscopia de coluna, uma
técnica desenvolvida por pesquisadores americanos e alemães.
O procedimento permite a retirada da hérnia de disco com
um corte de menos de dois centímetros nas costas do paciente.
Os cirurgiões utilizam uma microcâmera para resolver
o problema em 40 minutos e o paciente volta para casa no mesmo dia.
"O dado mais positivo é a rápida recuperação.
A videoendoscopia exige cortes que podem ser tapados com pequenos
curativos", explica Luiz Henrique Mattos Pimenta, neurocirurgião
do Hospital Santa Rita e organizador do workshop sobre o assunto,
em São Paulo, entre os dias 21 e 23 de janeiro.
As cirurgias de hérnia de disco e a de colocação
de pequenos cilindros (cages) de titânio na coluna estão
entre os casos em que a nova cirurgia mostra eficiência. Apesar
de exigir precisão e responsabilidade infinitamente maiores,
a nova cirurgia lembra, em sua forma, um jogo de videogame. O eixo
da coluna é formado por corpos vertebrais ósseos,
separados por discos de cartilagem que funcionam como amortecedores.
Atrás dessa estrutura ficam o feixe principal de nervos,
conhecido como cauda equina, e pares de raízes nervosas que
levam sensibilidade e capacidade de movimento a várias partes
do corpo. A hérnia ocorre quando a borda rígida do
disco se rompe e permite o vazamento da cartilagem mais rígida
do interior. Esse material endurece, formando pontas que pressionam
o feixe principal, os pares de raízes ou mesmo as duas partes
simultaneamente. Em alguns casos, pedaços desse material
se soltam do disco e vão para o tubo que abriga o feixe de
nervos, provocando dores insuportáveis.
Precisão
Na cirurgia para a hérnia, um corte de 1,8 cm, em média,
é feito nas costas do paciente, a 1,5 cm da linha média
das costas, por onde passarão os equipamentos. A câmera
e os instrumentos chegam ao ponto da hérnia e o cirurgião,
com as imagens na tela, retira a cartilagem que vazou (leia quadro).
Quando a resistência do disco está comprometida, colocam-se
cages de titânio para substituir a cartilagem. Nestes casos,
três ou quatro cortes são feitos na lateral do corpo.
Se a meta é atingir corpos vertebrais torácicos, os
cortes são abertos no abdômen. Dois cages de titânio
devolveram a alegria para a empresária Vera Lucia Marchiaro,
43 anos. "Fiquei sete anos sem pegar peso, fazer movimentos
ousados e exercícios. Nasci de novo", comemora Vera,
feliz por ter voltado a andar de bicicleta. A ginecologista Lucia
Marinaro, 35 anos, também passou por maus momentos por causa
de uma hérnia de disco. "Dormia de joelho, com o peito
apoiado num sofá. Abandonei o trabalho", conta. A operação
trouxe alívio e, dez dias depois, Lucia voltou ao consultório.
Os
especialistas concordam que a videoendoscopia trouxe avanços,
mas alertam: a maioria dos problemas de coluna pode ser tratado
sem cirurgia. "Deve-se usá-la quando o tratamento clínico
não oferece resultados", aconselha o ortopedista Eduardo
Puertas, da Universidade Federal de São Paulo. "Não
se pode criar um surto de cirur-gias, sobretudo nesta área,
em que um erro pode levar à tetraplegia", acrescenta
José Goldenberg, especialista em doenças da coluna.
Seu colega Tarcísio Barros Filho, da Universidade de São
Paulo, indica os casos em que ela deve ser adotada. "É
solução quando há disfunção nervosa
que provoque problema neurológico ou leve ao comprometimento
do controle da urina. E também quando o tratamento clínico
não apresenta resultados num período de seis a oito
semanas." A conclusão é clara: a técnica
resolve em muitos casos, mas o verdadeiro milagre é adotar
o tratamento correto em cada situação.
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