ESTADOS
UNIDOS
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Várias
cidades da Costa Leste americana, como Boston, foram
duramente atingidas
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Fúria
branca
Tempestades
de neve castigam a Costa Leste dos Estados Unidos no pior inverno
desde 1996
Osmar Freitas Jr - Nova York
Na segunda-feira 17, o Serviço Nacional de Meteorologia
americano revelou ao mundo seu mais novo analista: um supercomputador
capaz de realizar espantosos 2,5 trilhões de cálculos
num mero segundo. Encastelado num luxuoso prédio no Estado
de Maryland, perto da capital Washington, o computador seria o profeta
das tempestades, ciclones ou furacões, com antecedência
confortável para os que enfrentam diariamente os humores
da natureza. Este prodígio eletrônico alertou de cara
que uma frente fria, trazendo muita neve, estava para atacar os
Estados do Nordeste americano, mais precisamente desde a Carolina
do Norte até bem além das fronteiras com o Canadá.
O que se viu na terça-feira 25 foi muito mais do que isso.
Sobre boa parte dos Estados Unidos uma tormenta despencou com fúria
inesperada, soterrando ruas, estradas, aeroportos, automóveis,
escolas e escritórios. O governo federal fechou, impossibilitado
de contar com os serviços de seus milhares de funcionários
públicos. Somente este ponto facultativo forçado deu
um prejuízo de US$ 60 milhões por dia com o pagamento
de salários do pessoal. E Andy Woodcock, porta-voz do Serviço
de Meteorologia, e que havia anunciado o suposto computador espetacular,
teve de sair na defesa da engenhoca através de conferência
telefônica de sua casa. Woodcock, assim como milhões
de seus conterrâneos, foi pego desprevenido pela nevasca e
acabou ilhado pela neve em sua residência.
"Havíamos previsto esta tempestade" insistiu a
ISTOÉ o porta-voz do Serviço de Meteorologia. E ninguém
duvida desta afirmativa. O que se questiona é a incapacidade
da antevisão da intensidade e rapidez da borrasca. E foi
por isso que apenas 45% dos estudantes de Estados desde a Geórgia,
no Sul, até a Nova Inglaterra, ao Norte, conseguiram chegar
às escolas. Estes impetuosos, diga-se, perderam a viagem,
já que a maioria dos professores também cabulou as
aulas, nas poucas cidades, como Nova York, onde não foi suspensa
a rotina letiva. E os que chegaram às salas de aula puderam
contar com a sorte. Um casal de crianças em Great Barrington,
Massachusetts, se perdeu na tempestade que despejaria 18 polegadas
(cerca de 45cm) de neve naquele dia e caiu no rio Housatonic. Apenas
o menino foi salvo e os bombeiros ainda procuraram a menina até
a quarta-feira 26.
Ao todo, 500 mil pessoas ficaram sem energia elétrica na
imensa região da Costa Leste americana. Em Washington, o
Capitólio (sede do Congresso) e a Casa Branca se confundiam
com a alvura da neve. Em muitas cidades, vários vôos
tiveram de ser cancelados. Em Nova York, dois homens morreram de
ataques cardíacos, depois de tentar inutilmente vencer a
neve e desenterrar seus carros. No Central Park - onde cerca de
16 polegadas (cerca de 40cm) de neve nivelaram o terreno - corajosos
pedestres lançaram mão de esquis para trafegar até
os escritórios de Midtown. Mães improvisaram veículos
infantis com caixotes de papelão, puxados a duras penas diante
de um frio de cinco graus negativos. Isso quando não batia
o vento de 60 quilômetros por hora, fazendo a temperatura
atingir abismais 15 ou 20 graus negativos de sensação
térmica. "Desde a grande nevasca, chamada de tempestade
do século, em 1996, não se via tamanha fúria
de neve", disse a ISTOÉ Al Rocker, o homem do tempo
mais popular de Nova York. "Nós
já estávamos desacostumados com invernos assim. Pensávamos
que o efeito estufa nos havia transformado numa terra tropical.
Aí vem a natureza e nos mostra nosso lugar no mapa",
completa. Cobertas magnificamente de branco, as cidades americanas
parecem cenários de contos de fada. Trata-se da chamada beleza
do caos.
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