MERCADO
FINANCEIRO
Negócio
em dose dupla
Ao mesmo tempo que comemora fusão das Bolsas, Francisco da
Costa e Silva, da CVM, se envolve com escritórios que defendem
corretoras
Laszló
Varga e Liana Melo
| AG.
O GLOBO |
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Rizkallah,
costa e silva e Reis vibram com a fusão
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Uma cerimônia realizada na sexta-feira 28 na sede do Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no
Rio, chamou a atenção de executivos financeiros. Naquele
dia, o advogado Francisco da Costa e Silva encerrava com festa sua
gestão de quatro anos à frente da Comissão
de Valores Mobiliários. A CVM é uma autarquia de grande
importância no mercado, responsável pela fiscalização
das transações de corretoras de valores e bancos,
subordinada ao Ministério da Fazenda. Aparentemente, o trabalho
de Costa e Silva foi bastante produtivo. Seu principal marco foi
a fusão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa)
e do Rio de Janeiro (BVRJ), que teve a chancela do presidente Fernando
Henrique. A união dos dois pregões é a tábua
de salvação das corretoras cariocas, já que
a BVRJ detém menos de 5% da movimentação de
ações no País. Mais que isso, representa um
reforço para a Bovespa enfrentar a concorrência das
grandes Bolsas dos EUA e da Europa. Mas o proveito pessoal que Costa
e Silva tirou durante seu poder na CVM também parece inestimável.
Enquanto a autarquia exerceu seus atributos de investigar corretoras,
seu presidente manteve estreitos relacionamentos com o escritório
Bocater & Camargo Advogados Associados, conforme ISTOÉ
apurou. Aquele bureau é especializado em defender empresas
e instituições financeiras. Ou seja, enquanto batia
em operadoras de mercado através da CVM, Costa e Silva participava
de encontros com gente do outro lado da mesa. "Ele aparece
aqui de vez em quando", declarou na semana passada a ISTOÉ
um funcionário da Bocater & Camargo.
Inquéritos
Quem checar os dados da CVM terá a impressão de que
Costa e Silva fez um trabalho excelente de fiscalização.
Desde 1995, instaurou 474 inquéritos administrativos. Mais
da metade das 853 sindicâncias que a autarquia realizou ao
longo dos seus 20 anos de existência. O que também
chama a atenção é que os dois sócios
da Bocater & Camargo são João Laudo Camargo e
Maria Isabel Bocater, ex-diretores da CVM na gestão de Costa
e Silva e responsáveis por inquéritos administrativos.
Costa e Silva confirma inclusive que passa a ser oficialmente sócio
do escritório a partir desta segunda-feira 31, primeiro dia
útil após ter passado o bastão da CVM para
José Luiz Osório de Almeida Filho, ex-diretor do BNDES.
Apesar do convívio com os dois lados do mercado financeiro
- ou seja, a fiscalização e a defesa jurídica
das operadoras -, Costa e Silva nega qualquer irregularidade no
seu procedimento. Refuta ainda o fato de ter estado diversas vezes
na Bocater & Camargo durante sua gestão na CVM. "Isso
é uma mentira. Nunca estive, em momento nenhum, naquele escritório",
declara. ISTOÉ confirmou duas vezes que ele esteve, mais
de uma vez, no bureau do edifício Cidade do Rio de Janeiro,
no centro carioca. Ele rejeita ainda qualquer possibilidade de fazer
uma quarentena na passagem para a iniciativa privada, algo comum
em cargos públicos nos Estados Unidos e na Europa. "Não
sou filho de pai rico. Sou advogado e vou exercer minha profissão",
rebate. Vale lembrar que um dos poucos funcionários públicos
que se impuseram uma quarentena foi o ex-presidente do BC, Gustavo
Franco.
Acordo
As
ligações pouco ortodoxas de Costa e Silva se estendem
também ao escritório Albino & Associados, de São
Paulo. O bureau é especia-lizado na defesa de corretoras
de valores e pertence a Fernando Albino, ex-diretor da CVM que deixou
a autarquia em 1985. Albino, irmão de Gesner de Oliveira,
presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(Cade), fez um acordo societário justamente com a Bocater
& Camargo. Ou seja, ele atua no Estado de São Paulo em
defesa dos interesses dos clientes do escritório carioca
e vice-versa. A partir de agora, Costa e Silva passa efetivamente
a atuar no setor privado. Com a fusão das duas Bolsas, a
Bovespa, que movimentou uma média de US$ 347 milhões
por dia no ano passado, pretende reduzir os custos de corretagem
e aproveitar o embalo de entrada de dinheiro estrangeiro para aumentar
as transações. A Bolsa de Nova York, que movimenta
US$ 35 bilhões diários, é sua grande concorrente.
Tem lançado papéis de empresas brasileiras desde 1989,
que no ano passado movimentaram US$ 56,4 bilhões. Um bolo
e tanto que Alfredo Rizkallah e Carlos Reis, respectivamente, presidentes
da Bovespa e da BVRJ, gostariam de não ter perdido. O processo
de fusão das duas Bolsas termina no final deste ano, quando
a BVRJ passará a negociar apenas títulos da dívida
pública, um mercado que o governo tem interesse em deixar
mais transparente e organizado. Um pouco de transparência
é sempre bem-vinda.
Links relacionados:
www.bovespa.com.br
www.bvrj.com.br
www.nyse.com
Colaborou Cristiane Correa (SP)
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Estilos
diferentes
Os clubes brasileiros seguem hoje três modelos
de parceria. O primeiro a ser implantado foi o de co-gestão,
entre o Palmeiras e a Parmalat, em 1992. Nesse sistema,
a administração do futebol é conjunta,
mas o investidor não interfere na área
financeira. No final de 1997, o Esporte Clube Bahia
inaugurou a era da participação acionária,
em que o clube é transformado em empresa e o
investidor compra a maior parte das ações.
No caso, o time foi transformado no Bahia S. A., o Banco
Opportunity passou a ter 51% do controle acionário
e o clube ficou com o restante. Mas o modelo que vem
sendo adotado em maior escala atualmente é o
investimento para exploração de imagem.
A marca do clube e o departamento de futebol são
administrados separadamente e o investidor pode ter
um representante no futebol, como no Corinthians, ou
não, caso do Vasco. Outras diferenças
na administração separam os dois finalistas
do Mundial de Clubes da Fifa. O Bank of America sabia
desde o começo da parceria com o Vasco que teria
de montar um time de primeira linha. Somente assim a
empresa não sofreria nenhuma interferência
do vice-presidente de futebol, Eurico Miranda. Também
teve de acatar a imposição do cartola
de investir nos esportes amadores. Já no Corinthians,
o presidente Alberto Dualib mostra-se muito mais flexível.
Cada área fica a cargo de um executivo ou de
uma empresa parceira, os poderes são delegados
e as decisões são mais ágeis.
Ivan Padilla
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