PERFIL
| ALAN
RODRIGUES |

A
cor e a sensualidade dos modelos de Fause agradam os
americanos |
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Um
brasileiro em Nova York
O estilista paulistano Fause Haten é o primeiro
a entrar na semana de moda nova-iorquina
Eliana Castro
Tímido e modesto, o estilista Fause Haten, 30 anos, poderia
ter virado cinza na fogueira das vaidades do mundo fashion. Mas
ele brilha. Muito mais graças ao seu talento e à sua
perspicácia do que à sua porção marketeira.
Depois de criar uma coleção para a grife Giorgio Beverly
Hills, em que conquistou algumas estrelas, como a bela -Darryl Hannah,
o estilista anuncia com a tranquilidade de quem vai ali na esquina,
sua participação na semana de moda de Nova York, no
dia 7, às 9h.
O evento é um dos mais importantes no calendário
da moda internacional. E Fause é o primeiro brasileiro a
entrar para esse seleto grupo que reúne nomes altamente respeitados,
entre eles, Donna Karan e Calvin Klein. "Das quatro tendas
onde são exibidos os desfiles, escolhi a menor e em um horário
que ninguém gosta, assim não tem briga para conseguir
modelo", conta.
Na mala, Fause vai levar o maior motivo da cobiça dos gringos
em relação ao seu trabalho: a brasilidade. "Sinto
que os americanos vivem um momento de extrema simpatia pelo Brasil.
A Gisele Bündchen está no topo, outras modelos brasileiras
também ganharam fama internacional o que faz todo o mundo
olhar para nós de outra maneira", analisa. "É
como se eles tivessem abrindo um espaço para criar uma onda
de moda brasileira como houve, em 80, a invasão dos japoneses."
O que agrada tanto aos estrangeiros é a sensualidade das
roupas, a aparência artesanal aliada à tecnologia e
às cores, características do trabalho de Fause. Sem
contar com sua eterna preo-cupação em unir a beleza
à contemporaneidade. "Antes de fazer um modelo, pergunto:
dá para entrar no táxi? Se a resposta é sim,
continuo", revela.
Outra coisa que chama a atenção é a habilidade
de Fause com os tecidos. Ele faz questão de usar apenas produtos
100% nacionais. "Se tentasse criar com os importados, teria
dificuldades. Minha roupa ficaria parecida com a de tantos outros.
Além disso, o preço não seria competitivo",
explica. Para driblar a falta de tecidos diferentes no mercado nacional,
ele põe a criatividade para funcionar. Uma lã comum,
nas suas mãos, ganha aspecto inusitado graças à
aplicação de silicone. Tal habilidade gerou algumas
parcerias com tecelagens, que, para o estilista, são laboratórios
de pesquisas que ajudam Fause tornar realidade seus sonhos.
Com jeitinho, talento e paciência, Fause tem se destacado.
Neto de libaneses, esse paulistano carrega no sangue agulhas e tesouras.
Mal chegaram ao Brasil e os avós maternos do estilista compraram
uma porção de panos para gravatas. O pai, Edmond,
assim que veio do Líbano também juntou uns tecidos
e ergueu uma confecção de jeans e surf. Fause não
escapou da sina.
Galho em galho - Estudou no colégio São Luís,
um dos mais tradicionais de São Paulo. Mas sempre foi ligado
em pintar cerâmica, fazer enfeites para festas de crianças.
Aos 15 anos, entrou em um curso de ourivesaria e gemologia. No ano
seguinte, trabalhou em uma joalheria. Ele até tentou fazer
faculdade. Pulou de galho em galho em Comércio Exterior,
Belas Artes, Administração e Arquitetura, esquentando
cadeira por apenas seis meses em cada curso. Mas só descobriu
a vocação quando foi parar na rua 25 de março,
onde se vendem tecidos e artigos de armarinho. Comprou o material
necessário para costurar suas "coisinhas" na antiga
máquina de costura da avó. Daí para a frente,
fez sua história.
Atualmente, desenvolve a coleção prêt-à-porter
da sua grife, desenha produtos para a Scala, uma marca da Tri-Fil
que vende produtos de estilistas. Também assina o design
de bolsas para a marca Arrivare e cria tecidos especiais para as
tecelagens Ferreira Guimarães, Douat Têxtil e Rodhia.
Para tocar tudo isso e ainda atender a clientela de alta-costura,
Fause conta apenas com um braço-direito: ele. Da criação
à administração, é o próprio
estilista quem toca o negócio de sua casa-ateliê.
Para ajudá-lo, mantém uma equipe de 13 pessoas. "Em
uma estrutura menor, fiquei mais livre para criar", acredita.
Foi essa disponibilidade que abriu espaço para as coisas
começarem a acontecer. Em abril de 1999, Fause foi para Londres
com parte de sua coleção. Mostrou seu trabalho para
um contato da Giorgio Beverly Hills. Depois de passar por um interrogatório,
soube que queriam lançar um novo designer desconhecido nos
EUA.
Ao saber que havia sido escolhido, Fause entrou em crise. "Passei
duas noites sem dormir pensando se realmente tinha condições
de aceitar o negócio", lembra. Mas topou o desafio.
Fechou um ano de contrato com a marca, com direito a apresentação
para a imprensa, desfile e campanha em revistas. Aproveitando a
projeção, o estilista decidiu tentar a semana de moda
de Nova York.
Com
ajuda extra-oficial de John Schulmann, diretor da Giorgio Beverly
Hills, conseguiu apresentar seu trabalho aos coordenadores do evento.
Foi aprovado. Em sua estréia nova-iorquina, Fause vai mostrar
a mesma coleção que acaba de lançar no MorumbiFashion.
Apesar da inegável guinada na carreira, Fause, não
se deslumbra. "Espero ter sucesso e abrir caminho para outros
brasileiros", torce. Está confiante. Já deu uma
boa alinhavada para costurar a carreira no mercado internacional.
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