CINEMA
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CAGE:
um paramédico à beira da loucura
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Vitrine
de horrores
Vivendo
no limite retrata a escória
Luiz
Chagas
Todas as noites, quando chega para trabalhar no Hospital Mercy,
para onde é levada a escória de Hell's Kitchen, subúrbio
nova-iorquino conhecido pelo seu estado de abandono, o paramédico
e motorista de ambulância Frank Pierce (Nicolas Cage) jura
que vai pedir demissão. Abandonado pela mulher e consumindo
doses cavalares de álcool, Pierce vê sua vida se esvaindo
pelas ruas coalhadas de prostitutas, drogados, vagabundos e desordeiros,
o mesmo tipo de gente que vez por outra é obrigado a socorrer.
Assim é o clima de Vivendo no limite (Bringing out
the dead, Estados Unidos, 1999), cartaz nacional a partir da sexta-feira
4, que marca o retorno do diretor Martin Scorsese ao seu hábitat
natural, a cidade de Nova York.
O
roteirista Paul Schrader partiu do livro Vivendo no limite
(Companhia das Letras, 296 págs., R$ 29), do estreante Joe
Connelly, um americano de 37 anos, que antes de se dedicar à
literatura vagou de carona pelos Estados Unidos e trabalhou durante
mais de dez anos como paramédico em Hell's Kitchen. Sua intimidade
com o assunto lhe valeu o convite para ser consultor técnico.
A história soturna, recriada com fidelidade por Scorsese,
focaliza três dias do cotidiano de Pierce, concentrando-se
na difícil convivência que mantém com os parceiros
Larry (John Goodman), Marcus (Ving Rhames) e Walls (Tom Sizemore).
Neste período, o paramédico conhece Mary Burke (Patricia
Arquette) - jovem confusa e rebelde - e Noel, andarilho alucinado,
vivido pelo pop star latino Marc Anthony. Aos olhos de Pierce eles
personificam a redenção. O ritmo frenético
e a crueza das cenas tornam Vivendo no limite um filme sob medida
ao estilo intenso de Cage e à esperança de nobreza
que Scorsese parece depositar na humanidade.
Link relacionado: www2.bringingoutthedead.com/
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