Nº 1583 - 02/02/2000
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CAGE: um paramédico à beira da loucura

Vitrine de horrores

Vivendo no limite retrata a escória

Luiz Chagas

Todas as noites, quando chega para trabalhar no Hospital Mercy, para onde é levada a escória de Hell's Kitchen, subúrbio nova-iorquino conhecido pelo seu estado de abandono, o paramédico e motorista de ambulância Frank Pierce (Nicolas Cage) jura que vai pedir demissão. Abandonado pela mulher e consumindo doses cavalares de álcool, Pierce vê sua vida se esvaindo pelas ruas coalhadas de prostitutas, drogados, vagabundos e desordeiros, o mesmo tipo de gente que vez por outra é obrigado a socorrer. Assim é o clima de Vivendo no limite (Bringing out the dead, Estados Unidos, 1999), cartaz nacional a partir da sexta-feira 4, que marca o retorno do diretor Martin Scorsese ao seu hábitat natural, a cidade de Nova York.

Envie esta página para um amigoO roteirista Paul Schrader partiu do livro Vivendo no limite (Companhia das Letras, 296 págs., R$ 29), do estreante Joe Connelly, um americano de 37 anos, que antes de se dedicar à literatura vagou de carona pelos Estados Unidos e trabalhou durante mais de dez anos como paramédico em Hell's Kitchen. Sua intimidade com o assunto lhe valeu o convite para ser consultor técnico. A história soturna, recriada com fidelidade por Scorsese, focaliza três dias do cotidiano de Pierce, concentrando-se na difícil convivência que mantém com os parceiros Larry (John Goodman), Marcus (Ving Rhames) e Walls (Tom Sizemore). Neste período, o paramédico conhece Mary Burke (Patricia Arquette) - jovem confusa e rebelde - e Noel, andarilho alucinado, vivido pelo pop star latino Marc Anthony. Aos olhos de Pierce eles personificam a redenção. O ritmo frenético e a crueza das cenas tornam Vivendo no limite um filme sob medida ao estilo intenso de Cage e à esperança de nobreza que Scorsese parece depositar na humanidade.

Link relacionado: www2.bringingoutthedead.com/

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