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| Leonard
dá vida nova ao gênero policial |
LIVROS
Cidade
nua
Irresistível
paixão é uma leitura fascinante
Luciano
Trigo
É inevitável a lembrança dos filmes de Quentin Tarantino quando se
avança na leitura de Irresistível paixão (Rocco, 244 págs.,
R$ 28), de Elmore Leonard. Autor de mais de 30 romances policiais
- entre os quais Ponche de rum, que o cineasta de Pulp fiction
- tempo de violência transformou em Jackie Brown -, Leonard
aposta na ironia para revitalizar um gênero exaurido e poucas vezes
levado a sério. Ao mesmo tempo vincula-se à tradição dos chamados
tough writers americanos que, desde Dashiell Hammett, recorrem
a enredos cheios de tiros para fazer uma crítica sutil da sociedade
americana.
Após fugir da prisão e assaltar um banco, Jack Foley vai parar
no porta-malas de um carro espremido com a agente federal Karen
Sisco. Nesta insólita situação, bandido e mocinha começam a se interessar
um pelo outro à medida que descobrem gostos em comum - como o cinema,
naturalmente. Acabam passando uma noite tórrida num hotel, antes
que as respectivas profissões os ponham em choque num conflito entre
as obrigações morais e o desejo.
Diálogos
fortes, uma boa dose de erotismo e violência e um delineamento psicológico
dos personagens superior ao habitual no gênero fazem de Irresistível
paixão uma leitura fascinante. Elmore Leonard mantém do início
ao fim o ritmo alucinante da narrativa, unindo os talentos de fabulador
e repórter. Por exemplo, sua descrição das ruas sombrias dos piores
bairros de Detroit, com seus ginásios de boxe, prostitutas e vigaristas,
são pura literatura.
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