TELEVISÃO
Fim
da brincadeira
Fausto
Silva tira as pegadinhas do Domingão alegando que
o gênero se banalizou
A pegadinhas que infestam a televisão brasileira se banalizaram
tanto que o apresentador Fausto Silva, numa atitude radical, decidiu
eliminá-las definitivamente de seu Domingão do
Faustão. No domingo 20 de fevereiro ele anunciará
o fim do quadro, ainda que tire uma última casquinha na despedida.
Para encerrar o assunto, exibirá num bloco de 30 minutos
a primeira pegadinha feita para o Domingão em 1990, com o
ator Tato Gabus Mendes fantasiado de padeiro, e homenageará
o humorístico americano Candy camera, pioneiro do
gênero. Faustão, no entanto, vai sentir saudades das
brincadeiras. Afinal, foi com elas que ele aplacou a sangria de
audiência provocada pelo Domingo legal de Gugu Liberato,
no SBT, em agosto de 1998. Silvio Santos, aliás, foi o precursor
da câmera indiscreta no Brasil. Nos últimos dois anos,
quatro equipes produziram 1.200 diferentes pegadinhas para o Domingão,
das quais somente metade foi ao ar. Surgiram até atores especialistas
no gênero. O problema é que a concorrência se
assanhou e, na tentativa de pegar carona no sucesso, houve saturação.
Alberto
Luchetti, diretor-geral do Domingão, diz que a decisão
é irrevogável. "É uma atitude de respeito
ao telespectador. A pegadinha está virando picaretagem, ninguém
aguenta mais ver e eu não vou deixar a imagem do Fausto manchada
como nos episódios do Latininho e do sushi-erótico."
Marcos Barrero, diretor do Domingão, engrossa o discurso
culpando Sérgio Mallandro. Faz sentido. O apresentador da
CNT Gazeta não tem tido escrúpulos em lotar seu Festa
do Mallandro aos sábados com pegadinhas de gosto duvidoso
e de espontaneidade suspeita. "Ele criou um vale-tudo ridículo,
preconceituoso e apelativo", diz Barrero. "Ao mentirem
e forjarem situações, os concorrentes estão
fazendo pegadinhas para eles mesmos." Só a audiência
vai mostrar quem está certo.
C.F.
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