Nº 1583 - 02/02/2000
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Julianne e Everett: veneno e superioridade blasé

Elegância inglesa

Diretor faz bela adaptação da peça de Oscar Wilde no ótimo O marido ideal

APENAN RODRIGUES

O marido ideal (An ideal husband, Estados Unidos/Inglaterra, 1999) - cartaz nacional a partir da sexta-feira 4 - é daqueles filmes cuja alma inglesa está impressa em cada detalhe, da elegância ao humor ferino, da superioridade blasé às armações de poderosos em busca de mais força. Na descrição deste mundo, o diretor Oliver Parker foi muito feliz na adaptação de uma peça de Oscar Wilde, com ação no final do século XIX numa Londres em que toda a sofisticação parecia presente. Dentro da cúpula de deliciosas mundanidades, Rupert Everett é Arthur Goring, um dândi inteligente, de frases cortantes, cujo charme atrai e assusta as mulheres. Goring não leva nada a sério, a não ser o cuidado em se vestir rigorosamente na moda. Ele é amigo de todos e querido por alguns, entre eles sir Robert Chiltern (Jeremy Northam), político impoluto, cavalheiro de todos os guias de etiqueta e marido ideal de Gertrude (Cate Blanchett). Até que surge a naja de brilhantes e sedas, Lady Cheveley, papel da cada vez melhor Julianne Moore.

Envie esta página para um amigoLady Cheveley mora em Viena e vem a Londres com um trunfo magnífico guardado sob os punhos de tafetá. Chantageia sir Chiltern com um escorregão feio dele no passado usan-do sorrisos, simpatia e maldade explícita como o seu perfume. É aí que o espectador vai entrando como voyeur inconfesso num universo exclusivo, no qual poder e intriga misturam-se a amor, paixão e solidariedade. Tudo sempre resolvido de um jeito bem inglês. Sem nenhuma baixaria ou tom de voz mais alto que o farfalhar dos vestidos.

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