CINEMA
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Julianne
e Everett: veneno e superioridade blasé
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Elegância
inglesa
Diretor
faz bela adaptação da peça de Oscar Wilde no ótimo O marido ideal
APENAN
RODRIGUES
O marido ideal (An ideal husband, Estados Unidos/Inglaterra,
1999) - cartaz nacional a partir da sexta-feira 4 - é daqueles
filmes cuja alma inglesa está impressa em cada detalhe, da
elegância ao humor ferino, da superioridade blasé às
armações de poderosos em busca de mais força.
Na descrição deste mundo, o diretor Oliver Parker
foi muito feliz na adaptação de uma peça de
Oscar Wilde, com ação no final do século XIX
numa Londres em que toda a sofisticação parecia presente.
Dentro da cúpula de deliciosas mundanidades, Rupert Everett
é Arthur Goring, um dândi inteligente, de frases cortantes,
cujo charme atrai e assusta as mulheres. Goring não leva
nada a sério, a não ser o cuidado em se vestir rigorosamente
na moda. Ele é amigo de todos e querido por alguns, entre
eles sir Robert Chiltern (Jeremy Northam), político impoluto,
cavalheiro de todos os guias de etiqueta e marido ideal de Gertrude
(Cate Blanchett). Até que surge a naja de brilhantes e sedas,
Lady Cheveley, papel da cada vez melhor Julianne Moore.
Lady
Cheveley mora em Viena e vem a Londres com um trunfo magnífico
guardado sob os punhos de tafetá. Chantageia sir Chiltern
com um escorregão feio dele no passado usan-do sorrisos,
simpatia e maldade explícita como o seu perfume. É
aí que o espectador vai entrando como voyeur inconfesso num
universo exclusivo, no qual poder e intriga misturam-se a amor,
paixão e solidariedade. Tudo sempre resolvido de um jeito
bem inglês. Sem nenhuma baixaria ou tom de voz mais alto que
o farfalhar dos vestidos.
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