Nº 1583 - 02/02/2000
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DIVULGAÇÃO

EVELYN (centro): saga de um alemão na selva
CINEMA
Hans Staden (em cartaz no Rio de Janeiro a partir da sexta-feira 4) - É de encher os olhos este mergulho no Brasil Colônia feito pelo diretor paulista Luiz Alberto Pereira. Com apenas R$ 1,7 milhão, o cineasta contou de forma envolvente a assombrosa saga do aventureiro alemão Hans Staden (Carlos Evelyn), que quase virou churrasco de índio num ritual antropofágico depois de ser capturado pelos tupinambás, em 1554. Baseado nos relatos de Staden, o filme é narrado em alemão e falado quase inteiramente em tupi. Cenários, figurinos, maquiagem e danças rituais foram criados a partir de pesquisa séria, num visual de arrepiar. Para completar, Marlui Miranda assina a ótima trilha sonora da produção de primeira, que só não é melhor por não se aprofundar mais na biografia do retratado. (I.C.)
Vale a pena

TEATRO
Boca de Ouro (Teatro Oficina, São Paulo) -- Com a assinatura de José Celso Martinez Corrêa, a famosa tragédia carioca de Nelson Rodrigues escrita em 1959, renasce deliciosamente leve e afiada. À frente do elenco, Marcelo Drummond encontrou o tom certo para o papel de Boca de Ouro, bicheiro nascido na pia de uma gafieira, que se coroou rei do subúrbio mandando arrancar todos os dentes para colocar uma dentadura de ouro 18 quilates. Inspirada na estrutura do filme Rashomon, de Akira Kurosawa, a peça mostra três versões diferentes de um mesmo episódio da vida do personagem assassinado, contada a um repórter por sua amante, Dona Guigui (Silvia Prado). Nas mãos de Zé Celso, os tipos brasileiríssimos e o humor quase coloquial de Nelson Rodrigues aparecem frescos e revitalizados. (I.C.)
Vale a pena

ARTE
Nuno Ramos (Museu de Arte Moderna, São Paulo) - Tido como um dos mais instigantes artistas brasileiros da atualidade, Nuno Ramos reúne nesta retrospectiva pinturas, esculturas, fotos e instalações rea-lizadas a partir de 1987. Como muitas delas foram exibidas apenas em coletivas ou fora do País - caso de Manorá branco, pedra de mármore polido do qual escorre vaselina formando uma poça leitosa no chão -, a visão do conjunto permite uma boa apreciação da sua trajetória. Fascinado pelo casamento de materiais conflitantes, Ramos impressiona com o emaranhado de suas gigantescas pinturas em relevo e o equilíbrio instável de suas esculturas. (I.C.)
Vale a pena

SHOW
Envie esta página para um amigoCazas de Cazuza (Tom Brasil, São Paulo, em cartaz a partir da quinta-feira 3) - Lucinha Araújo deu o aval. Disse que foi a melhor homenagem ao seu filho. Generosa, a Lucinha. O espetáculo assinado por Rodrigo Pitta tem um erro básico de concepção. Ao querer retratar Cazuza em vários Cazuzas, perdeu-se o cerne da sua personalidade explosiva. Da sensibilidade, também pouco se vê, do humor, então, não há nada. Pitta fez um espetáculo amargo, sem as ironias e capetices tão típicas daquele que se inscreveu como o maior poeta do rock nacional. Claro que é louvável sua atitude em montar um musical numa terra sem esta tradição. E Cazas (com Z mesmo) de Cazuza salva-se justamente pelo elenco, que canta bem e mostra prazer em cena, com destaque para Lulo Scroback (Deco), a melhor voz. O problema é que, em vez de tirar maleabilidade do corpo malhado, Scroback acaba se movimentando como um robô ao som de uma banda que, muitas vezes, parece es-tar num show só dela. (A.R.)
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