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| DIVULGAÇÃO |
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| EVELYN
(centro): saga de um alemão na selva |
CINEMA
Hans
Staden (em cartaz no Rio de Janeiro a partir da sexta-feira
4) - É de encher os olhos este mergulho no Brasil Colônia feito
pelo diretor paulista Luiz Alberto Pereira. Com apenas R$ 1,7
milhão, o cineasta contou de forma envolvente a assombrosa saga
do aventureiro alemão Hans Staden (Carlos Evelyn), que quase
virou churrasco de índio num ritual antropofágico depois de
ser capturado pelos tupinambás, em 1554. Baseado nos relatos
de Staden, o filme é narrado em alemão e falado quase inteiramente
em tupi. Cenários, figurinos, maquiagem e danças rituais foram
criados a partir de pesquisa séria, num visual de arrepiar.
Para completar, Marlui Miranda assina a ótima trilha sonora
da produção de primeira, que só não é melhor por não se aprofundar
mais na biografia do retratado. (I.C.)
Vale a pena
TEATRO
Boca de Ouro (Teatro Oficina, São Paulo) --
Com a assinatura de José Celso Martinez Corrêa, a famosa tragédia
carioca de Nelson Rodrigues escrita em 1959, renasce deliciosamente
leve e afiada. À frente do elenco, Marcelo Drummond encontrou
o tom certo para o papel de Boca de Ouro, bicheiro nascido
na pia de uma gafieira, que se coroou rei do subúrbio mandando
arrancar todos os dentes para colocar uma dentadura de ouro
18 quilates. Inspirada na estrutura do filme Rashomon,
de Akira Kurosawa, a peça mostra três versões diferentes de
um mesmo episódio da vida do personagem assassinado, contada
a um repórter por sua amante, Dona Guigui (Silvia Prado).
Nas mãos de Zé Celso, os tipos brasileiríssimos e o humor
quase coloquial de Nelson Rodrigues aparecem frescos e revitalizados.
(I.C.)
Vale
a pena
ARTE
Nuno Ramos (Museu de Arte Moderna, São Paulo)
- Tido como um dos mais instigantes artistas brasileiros da
atualidade, Nuno Ramos reúne nesta retrospectiva pinturas,
esculturas, fotos e instalações rea-lizadas a partir de 1987.
Como muitas delas foram exibidas apenas em coletivas ou fora
do País - caso de Manorá branco, pedra de mármore polido
do qual escorre vaselina formando uma poça leitosa no chão
-, a visão do conjunto permite uma boa apreciação da sua trajetória.
Fascinado pelo casamento de materiais conflitantes, Ramos
impressiona com o emaranhado de suas gigantescas pinturas
em relevo e o equilíbrio instável de suas esculturas. (I.C.)
Vale
a pena
SHOW
Cazas
de Cazuza (Tom Brasil, São Paulo, em cartaz a partir da quinta-feira
3) - Lucinha Araújo deu o aval. Disse que foi a melhor homenagem
ao seu filho. Generosa, a Lucinha. O espetáculo assinado por
Rodrigo Pitta tem um erro básico de concepção. Ao querer retratar
Cazuza em vários Cazuzas, perdeu-se o cerne da sua personalidade
explosiva. Da sensibilidade, também pouco se vê, do humor,
então, não há nada. Pitta fez um espetáculo amargo, sem as
ironias e capetices tão típicas daquele que se inscreveu como
o maior poeta do rock nacional. Claro que é louvável sua atitude
em montar um musical numa terra sem esta tradição. E Cazas
(com Z mesmo) de Cazuza salva-se justamente pelo elenco,
que canta bem e mostra prazer em cena, com destaque para Lulo
Scroback (Deco), a melhor voz. O problema é que, em vez de
tirar maleabilidade do corpo malhado, Scroback acaba se movimentando
como um robô ao som de uma banda que, muitas vezes, parece
es-tar num show só dela. (A.R.)
Vá
se tiver tempo
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